“Não é possível que você acredite numa coisa dessas depois de tudo que vivemos juntos!”
“Não me contaram, eu estava na extensão, ouvi vocês dois conversando.”
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Ronnie… era uma boa idéia.
Uma idéia doce, fálica, absurda, terna, violenta e bifurcada.
A idéia Ronnie era violentamente doce.
Aquele jeito de estar… sempre todo torto, sempre inconstante, sempre olhando pra ela pela através da lente da máquina fotográfica… ele gostava de olhar pra ela dessa maneira. Gostava de como a luz parecia se decompor quando passava por ela. Pra ele, a luz passava por ela… como partículas exóticas. como wimps ou neutrinos. Pra ela, ele era a sua partícula mais exótica.
O erotismo imagético residia nas figurinhas carimbadas, que ele grudava na pele dela como curativos coloridos e cheios de bichinhos.
Era tudo assim entre eles, grudado, curado, curativado, cura-ativada um para o outro. Eles não sabiam ser um outro, cada um era um, inteiro, peça sem encaixe, auto-adesiva, translúcida e fluorescente.
_ Passa a manteiga por favor.
_ Vou tatuar você.
_ A margarina, Ronnie, por favor
_Vou escrever Mortal But Invincible nas suas costas
_ A margarina ou a manteira, POR FAVOR!
_ Quanto vai de margarina?
_ O suficiente
_ O suficiente basta?
_ Acho que não, mas se basta, acaba onde basta lembra?
_ Sim, e nada que se pareça com isso deve ser o sentido da vida não é?
_ Sim… sabe, um dia farei o bolo perfeito…
_ Um bolo sem receita?
_Um bolo que jamais se repetirá! Um dia a receita caótica vai dar certo, como um macaco em uma maquina de escrever reproduzindo Otelo!
_ Graaaande, Otelo!
_Macunaíma?
_Pode ser… vou a locadora então.
_ Feito!
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“Não é possível que você acredite numa coisa dessas depois de tudo que vivemos juntos!”
“Não me contaram, eu estava na extensão, ouvi vocês dois conversando.”
Não eram eles dois, eram outros dois, os outros que eles não sabiam ser, eram outros, outros vultos, insultos, Ronnie e Madeleine eram intocáveis, eram inspiração.
“Não era eu, acredite, era Madeleine, MADELEINE!”
