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Menina-pé-de-uvaia

outubro 30th, 2011

Presente para Bruna Romero.

O julgar-se e o saber-se

outubro 30th, 2011

Em uma amizade verdadeira, desinteressada, e altruísta não cabe, jamais uma escolha.

Amigos são amigos, e se forem amigos mesmo, são amigos e nisto a coisa toda se baseia e jamais se basta… porque, como já sabemos, o que basta acaba onde basta, e onde acaba, não basta.

Se você diz para que seu amigo, escolha entre você e amigos novos, entre você e qualquer coisa. Você pode ter a triste surpresa de descobrir que é dispensável!  E aprender que ninguém é insubstituível!

E se ver, depois disso, seu amigo muito melhor do que ao seu lado. Constate o fato de que você era uma presença perniciosa. Que não era tão bom amigo quanto se imaginava, que não fez pelo seu amigo tudo que podia, e que talvez nunca tenha incentivado ele a fazer por si mesmo tudo que ele era capaz.

O que você fez pelos seus amigos? Salvou ou os condenou? Os promoveu ou os podou? O que você faz por você?

Se não faz por você, não fará verdadeiramente por ninguém. Fará por interesse, fará porque lhe convém, fará pra que você aos olhos dos outros pareça nobre, mas não verdadeiramente, não como as coisas deveriam realmente serem feitas, por amor, e por nenhum outro motivo.

Julgar-se amigo, é uma coisa… saber-se amigo, é outra.

Ninguém perde o que nunca foi capaz de realmente ter. Você colocou a mão sobre o ombro do seu amigo, mas foi para apoiá-lo ou para apoiar-se?

OUSE RESPONDER!

Meus amigos sabem o que podem esperar de mim… não podem contar comigo para baladas, não podem contar comigo para bebedeiras, não podem contar comigo pra putaria, não podem contar comigo pro lado ordinário do mundo.

Mas meus amigos podem contar comigo quando eles não puderem contar com mais ninguém!

I´ll be right here, Elliot!

OUSA ENXERGAR SUA FALTA DE GRANDEZA, e que sua humildade se  agigante diante da sua soberba, diante de seus erros, e lhe dê, enfim, um pouco de sabedoria!

Eu sou feliz, e isso deve realmente incomodar! Mas a mim não incomoda, então xD continuarei assim, feliz, abobada, crua, abrupta e inesperada … EU GOSTI!

E que meus amigos continuem sabendo que, eu estou aqui, mas só quando eu quero estar, e pra algumas pessoas, podem dizer que eu saí! kkkk

Lili on the porch

outubro 27th, 2011

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Mudança? Ainda bem!

outubro 24th, 2011

Sei que me imponho mudanças difíceis às vezes. Porque quero evoluir, mudar para melhor, crescer…

Preciso ser agora melhor do que no instante passado, e acho que todas as mudanças passam pelo ato de ter consciência de si em primeiro lugar, de ter consciência do meio, e de ter consciência dos seus próprios desejos.

Respeitar a si, aos outros, respeitar o ambiente, respeitar a vida… e querer, querer e querer…

Os quereres são a alma do mundo. Temos que querer e fazer coisas boas.

Estou visualizando tudo que tenho conquistado. E demorou. Estou entendendo como isso funciona. E estou gostando muito disso.

Gostando de mentalizar e de ver a coisa acontecer! De ver as coisas materializadas.

Acho que todo mundo tem que passar por uma catarse básica… aqui e ali.

Eu tenho a sorte de ter quereres, de ser cheia de vários quereres… e de ser amada… e de poder ter a quem amar… Pra que querer mais que isso?

Eu devia me dar por satisfeita, mas sim, eu quero mais… quero poder ajudar, quero ver meus amigos bem e felizes, saudáveis, e com perspectivas.

Sim, muitas vezes é difícil você fazer a pessoa enxergar que ela não está feliz, porque se viciou em pequenas doses de euforia, e não em felicidade.  Por exemplo aquela amiga ou amigo que todo mundo tem, que pega todo mundo e tá sempre sozinha no final das contas, sem ser assumida, sem ser amada, sendo apenas uma companhia, ou uma acompanhante que depois é descartada… ela até se assoberba, e fica polindo seu momentozinho de euforia como se fosse uma grande felicidade, mas, inexoravelmente o tempo passa, e aquilo que parecia felicidade, dá em nada. E o tempo vai passando, e as pessoas vão envelhecendo sozinhas, e se tornando amargas, dependentes emocionalmente,  aproveitadoras dos outros… credo!  É melhor ser feliz, sempre, de maneira contínua, dando valor e continuidade aos seus relacionamentos… sim, é melhor…   e muitas  vezes quando você tenta ajudar alguém, quem se ferra é você… porque a pessoa está tão  viciada naquele comportamento, que acha que está bem, então o que temos que fazer é deixar pra lá… se ajudar em primeiro lugar… e ficar abertos ao pedido de ajuda dos amigos…

E como eu sempre digo aos meus amigos, eu não sou amiga em dose homeopática, eu sou AMIGA com CAPS, se quer uma amizade superficial, vai ligar pro SUPER PAPO, ou andar com aquela galerinha que adora tirar foto pra postar no facebook e fazer aquela baita balada chata parecer legal…  comigo não, violão! Eu sou hard core! Se não quer minha ajuda não me conte seu problema, se não quer um amigo não se proclame meu, se não me quer por inteiro não me coma pelas bordas!

NÃO SOU FRACA, E NÃO ESTOU PARA OS FRACOS!

“Olhe para a pessoa que lhe causa aborrecimento e tire proveito da oportunidade para controlar a própria ira e desenvolver a compaixão. Entretanto, se o aborrecimento for muito grande ou se você achar a pessoa tão desagradável que seja impossível agüentá-la, talvez seja melhor sair correndo! ”
disseram que quem disse foi o Dalai Lama… vai saber…

Crianças xD

outubro 24th, 2011

É realmente muito gratificante ver crianças reconhecendo seu trabalho, reproduzindo, e achando isso bem legal, achando a arte interessante atrativa, querendo se embrenhar por esse mundo fauve e colorido…

Quando você entra em uma escola e se depara com muitas releituras de trabalhos seus, onde cada criança colocou algo dela própria, você percebe que é o que importa, que é o que tem valor.

Isso sim é gratificante, isso sim faz com que as coisas realmente valham a pena!

Eu fico emocionada com cada traço diferente do meu, com cada cor diferente da minha paleta, acho mágico demais!

Olha só esse olhar! Cativante demais!

Um professor comebntou que a Ligia Goi tirou leite de pedra, fazendo com que os alunos produzissem trabalhos tão bonitos… é a diferença que existe entre mestres e professores.

I don’t like mondays xD

outubro 24th, 2011

Chá de camomila pra começar o dia.
Um pensamento morno com sabor de lençol pela manhã com calor ainda do corpo.
Uma ou outra incerteza pra temperar o dia que só se inicia quando um desejo me desassossega.

Bom dia pra mim, e pro meus outros interlúdios existenciais.

Confesso que ando um pouco frustrada comigo, em relação a minha dieta.  Eu podia dizer que tenho que voltar a minha rotina antiga, mas não… tenho que criar uma nova. Dizem que segunda-feira é um dia bom pra recomeços né?Deve ser bom pra um começo novo também… Então estou me reorganizando a partir de agora xD

Sou bem determinada quando quero algo. Meu problema é que muitas vezes quero muitas coisas ao mesmo tempo, e perco o foco. FOCO é um dos nomes de Deus! Certamente.

Tenho que exercitar me focar em uma coisa de cada vez, pra não dispersar, pra não desperdiçar energia e otimizar o tempo.

O problema com o multi-facetamento é esse! Eu quase invejo as pessoas que são apenas escritores, ou apenas artistas plásticos, ou apenas isso ou apenas aquilo…

Elas não precisam se preocupar com o foco, pessoas monofásicas são mais eficientes. Embora sejam eficientes em um único ponto. São ótimas engrenagens. Como as engrenagens, elas tem uma única função, e prestam muito bem para aquilo.

Já os multi-facetados tem que viver nesse dilema terrível. De querer, saber e gostar de fazer tudo ao mesmo tempo.

Problemas de conclusão eu até que não tenho. Mas fico estafada, mentalmente e fisicamente estafada. O que eu sei que não é nada saudável.

E lá vamos nós de novo, viver de 3 em 3 horas!

Ida

outubro 24th, 2011

A capacidade dela esquecer sempre foi muito menor do que a de não se lembrar.

Simplesmente não se lembrava de nada, para não se esquecer um esforço enorme precisava ser empregado.

Os pensamentos pareciam nuvens solitárias se dissipando num fundo azul. Azul daquele tipo que ela tanto gostava,  aquele azul que ela dizia que doía.

Coisa nova era tudo que ela não conhecia, não importada o tempo, não importava a idade. Coisas muito velhas soavam como novidade.

De fato, os fatos iam acontecendo de maneira violenta, não conseguia segurar os acontecimentos. Por vezes se escondia, fugia, como lagartos dormindo sob as pedras. Mas a vida tinha uma coisa com ela, uma coisa forte. Lambia sua pele como labaredas de um fogo que tem vontade própria. Não adiantava!

De repente, a vida batia a sua porta, lhe puxava pelos pés e ela era jogada de novo em um turbilhão.

“Ela tinha uma energia avassaladora…” – Dizia sua avó.

Sua avó também era assim, mas a vida que correra outrora atrás daquelas pernas finas já não a perseguia mais, agora era a morte que tentava lhe morder os calcanhares.

A vida corre atrás de você, a vida inteira ela corre, tentando lhe jogar no turbilhão, a morte não, a morte anda a passos largos e lentos. Não se cansa, não se perde, não esquece do encontro marcado.

Entretanto… a morte não é pontual, muitas vezes ela chega antes, nunca depois. O problema com a morte, é que ela gosta de atalhos, e o problema com nós, humanos, é que gostamos de criar atalhos. Pra morte, todo vacilo é um atalho.

Com a morte ela lidava bem, combinaram de não se ver até que fosse a hora. Embora sempre tivera problemas com as horas.

Não existir a apavorava.

A constatação racional de que vida após a morte era uma coisa impossível, era um tanto desagradável. Existir, existir era o elixir da longa vida…

Ela não se importava em não viver as coisas cotidianas, ela podia ficar horas e horas e horas sem fazer absolutamente nada… ela podia ficar dias dormindo… muito tempo sem sequer se mover… mas ela não trocaria aquilo por nada. Existir lhe bastava. Não precisava de grandes acontecimentos pra se sentir viva, ainda que ela perdesse todos os movimentos, apenas estar consciente lhe bastaria, havia um universo imenso dentro de sua cabeça. Existir lhe bastava.

Gostava tanto de existir. Que sabia o valor até dos episódios de dor lancinante.

Gostava das dores musculares que a fazia perceber complexos musculares que ela nem sabia que existiam, que ela nem sabia como funcionavam.

Certa vez, após um distendimento muscular, passou dias andando com dores nas costas, colocava a mão sobre o músculo, apenas pra sentir como ele funcionava… preferia viver em dor do que não existir. E tentava imaginar, como seria uma dor tão horrível que a faria preferir o nada, a não existência à dor.  Tinha medo de descobrir.

Quando andava de carro, pensava sempre que qualquer carro poderia bater naquele onde ela se encontrava, e que ela poderia morrer naquele instante, ou então que seus ossos poderiam se quebrar e romper a carne se expondo, e ela sabia o que fazer se estivesse consciente, saberia lidar com a dor, mas pensava que o não ter que lidar com a não existência era o pior… que perceber a luz dos olhos seus se apagando, a consciência indo embora, a respiração parando, o coração não reagindo seria a pior coisa da vida. Ela tinha razão. Morrer é a pior coisa da vida.

Todos os outros sofrimentos são parte do plano da vida, COMBO!

A capacidade dela esquecer a colocou um passo a frente de tudo que ela mesma conhecia. Tinha se tornado incapaz de não dar um passo a frente, o que a fazia, sem querer, deixar tudo sempre pra traz. “É uma dádiva!” – dizia sua terapeuta, em cujas sessões parecia ser ela a paciente.

Sua mãe sempre morreu de medo que ela fosse embora, ela sabia que um dia ela iria, parecia ser uma condição dela. Uma energia que a permeava. A cola de ctenophora a lhe colar cada célula. E o coração de sua mãe, sempre tão aflito, parou, de súbito parou.

E a menina esqueceu de chorar.

De fato, havia nela uma imensa capacidade de ser feliz, talvez fosse um efeito colateral do esquecimento. Ou uma de suas propriedades tão intrínsecas.

Apelidamos ela de Ida. Pois era isso que ela inspirava, transpirava, respirava, transmitia, essa energia de partida.

“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.”
Clarice Lispector

Acordei as 5am.

Quem me dera acordassem todos.

Que mera coincidência não haveria de ser, seria sim, um outro amanhecer.

Quem me dera, acordassem, todos.

((( sonhos )))

^^ foguetes não tem raízes!

outubro 10th, 2011

Lili diz (20:59):

*”O DESTINO decide quem vamos encontrar na vida.
As ATITUDES quem fica.”
“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”
Khalil Gibran
Sejamos foguetes… sejamos!

Tava deitada no chão do quarto da Lili e desenhando com os lápis dela!

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Resumo da ópera

outubro 6th, 2011

Oi, meu nome é Shantall, pega na minha rima!

Resumindo, a vida tá boa, os dias estão lindos, um milhão de coisas acontecendo, muito pouco tempo pra pensar em coisas menores…

Um dos meus bolos de aniversário…


esse tinha a cara do Ravel xD lindo demais!!!

No domingo ganhei uma festa flashmob muito linda com bolo de palhaço, bichinhos de pelúcia, chapeuzinhos de palhaço, pessoas bem legais me fazendo companhia em casa, e foi uma graça…

Na segunda ganhei um bolo de trufado de chocolate com beijinho, a cara do Ravel, perfuminhos e passei a tarde com o Roberto Rodrigues, Thiago, Paulo Cestari, Ligia Goi, Carina, Elviroca e Jr…  foi um dia muito fofo… que não terminou nem quando acabou!

Mas foram tantos acontecimentos que nem deu pra tirar foto… e um dia muito revelador, cheio de provas de amizade e confiança… e muito carinho… adorei… porque tudo foi surpreendente e sincero.

Amei… me entupi horrores de comida japa!

Quando pequena eu achava que o BOBDOG era namorado da HK, e tooodo mundo sabe que eu AMO Hello Kitty né? s2

Adoro!

xD

Enfim, não vou postar mais fotos… nem falar sobre tudo o que aconteceu, porque é tudo e somente MEU!

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Heart and Soul Nebula

outubro 4th, 2011

( imagem feita pelo telescópio ALMA, Nebulosa Heart & Soul )

Era uma vez uma estrela, no meio de um sistema solar perdido num canto de uma galáxia qualquer.

A sua volta, muitos planetas coloridos, cheios de vida, cheios de graça rodavam, dançavam e rodopiavam.

A pequena estrela vivia triste, se achava tão menor, se sentia boba, parada, sem vida, ninguém morava nela, ninguém a visitava…

Um dia, uma luazinha qualquer, genérica,  sem vida, estéril e sem graça se aproximou. A pequena estrelinha viu o brilho da lua e achou ela o máximo, e dia e noite a estrela acompanhava o brilho da lua, que vivia com apenas uma das faces viradas pra estrela.

Essa lua, lua cheia de soberba, cheia de si, vivia se engrandecendo por brilhar tanto, por rodar tanto, por parecer tão linda aos olhos da pequena estrela.

A pequena estrelinha, achava que tinha um grande tesouro em suas mãos, pois tinha a amizade da lua mais brilhante do seu sistema.

Mas no tempo sempre tem um dia, em que o tempo muda e um novo tempo se inicia.

E apareceu pelas bandas dessa galáxia, um astro errante, um planeta novo, que não tinha órbita regular, que visitava todos os cantos do universo, porque todos os lugares pertenciam a ele, e ao mesmo tempo nenhum, e assim ele ia se queria, ficava se queria, e partia se assim quisesse. Visitava buracos negros,  lugares frios, lugares quentes, conhecia estrelas como Arcturos, conhecia planetas como o B-612, conhecia buracos de minhocas, conhecia sistemas binários, conhecia singularidades cosmológicas que a pequena estrelinha não conhecia.

E então, ele avistou aquele sistema, tão tão cheio de vida. Tudo girava em torno daquele sol, daquela pequena gigante vermelha.

Toda a vida ao seu redor se devia a sua luz , toda a graça, toda luminosidade, tudo, vinha do seu brilho de intensidade perfeita. Não era uma estrela quente demais pra que nada sobrevivesse a sua volta, e nem fria demais que ninguém quisesse chegar perto. Era uma estrela perfeita.

E então o planeta errante, que mais parecia um globo de pista de dança espelhado, chegou bem perto da estrela e lhe deus os parabéns, por ser tão especial.

A lua ao perceber que sua farsa seria desmascarada, se enciumou muito, e tentou juntar os demais planetas contra o planeta errante. Dizendo que ele era nocivo, que ia realinhar a ordens dos planetas, que ia causar o fim de tudo. Mas os planetas sabiam que tudo que o planeta errante dizia era verdade, a luz alí era da pequena estrela, a gigante vermelha, o sol. A lua, era somente a lua, como tantas outras.

E então, pela primeira vez depois de milhões de anos, a lua mostrou sua outra face, a face oculta, a face que nunca mostrata até então. E o pequeno sol até se assustou!!!

E todos os planetas ao seu redor, perceberam, e em um forte coro disseram a estrelinha a verdade.

- Você é o sol, você é quem brilha, a luz que vê em nós é o seu reflexo.

E nos olhos do planeta errante, ela percebeu a verdade. Que o brilho era dela, que a lua não era luminosa, era apenas iluminada, iluminada pelos seus raios.

O planeta errante, que viajara por muitas galáxias, virou ao pequeno solzinho encantador e disse.

- Não sei de onde eu vim, nunca soube pra onde eu iria, mas agora eu sei onde eu quero ficar. Eu não tenho luz própria, mas sei pulsar meu coração, eu tenho medo de escuro, eu não gosto de muito frio, e nem de muito calor, e aqui tá bom pra mim. Eu não sou um planeta cheio de cores, nem um planeta cheio de vida, mas eu sou um planeta cheio de sonhos… e espelhos pra não te deixar esquecer que a luz é sua.

E o sol disse então…

- Querido planeta errante, fique, eu não posso te oferecer mais que minha luz e meu calor.

E ao brilhar mais intensamente, o pequeno sol encheu o planeta errante de vida, e de graça e de cores. E fez belíssimos arco-íris pipocarem do planeta errante.

E até hoje, quando algum telescópio vasculha o universo, é visto um sistema binário, no centro de um pequeno sistema solar, perdido no canto de uma galáxia qualquer brilhando mais que todos os outros astros. E quando procuram por sinais, captam um intenso pulsar que vem daquelas bandas.

Os cientistas não sabem explicar, como aquele corpo celeste brilha tanto…

Mas nós sabemos, não é um, é um sistema binário, são dois, de brilho intenso e incandescente.

E a lua? Essa morreu de vergonha! E ninguém nunca mais falou sobre ela.

E assim nas calhas de roda…

Pouca coisa me entristece, uma delas é perceber o processo de petrificação de alguns humanos.

Vou citar o que aconteceu com alguém muito próximo a mim, minha irmã.

Minha irmã era demais, era tão bonita, e alegre, tão engraçada, divertida. Com o passar dos anos, ela foi literalmente perdendo as cores, se tornando uma pessoa amarga, triste, doente, insatisfeita.

Eu deveria tê-la abraçado, e dito que tinha algo dentro dela que eu amava, e tê-la resgatado do processo de petrificação. Mas muitas vezes, senti, que quando muito eu podia cuidar de mim mesma. Pois nosso lar estava desmoronando, tínhamos perdido nossa mãe, e passávamos pelas mesmas coisas. E eu me perguntava se a decisão de cuidar da minha alma, primeiro, não era um sinal de petrificação.

As pessoas sempre me ridicularizaram por tudo quando eu era criança. Eu andava pela rua com capacete de motoqueiro, e asas de borboleta feita com cartolina e lantejoulas. Nunca liguei pro que podiam ou não dizer, eu só nunca quis passar vontade. Pois tinha percebido, com a minha irmã, que o teor de amargor e amargura aumentava a medida que se deixava de fazer as coisas que se tem vontade.

Nunca passo vontade.

Se quero usar orelhas de gato, uso, se quero usar óculos engraçados uso, se quero fazer faço… inventei um jeito que funciona pra eu ser feliz.

Acham que eu ligo quando me olham torto na rua?  Eu não! Se quero usar um fusca amarelo na orelha e me sentir em 1985 de novo… vou usar!

Não tô nem ai! Tem gente que nasceu pra trabalhar, eu nasci pra ser feliz antes de tudo, trabalho por amor, por prazer, por satisfação, pra ajudar.

Ando por entre algumas pessoas, me sentindo como num tour por uma floresta petrificada, elas estão sob camadas e camadas de células mortas, endurecidas. Mas não encasuladas. O casulo esconde a vida que se transforma em algo alado, melhor, mais capaz de ascender, evoluído. Elas estão é enclausuradas, detidas, presas, retidas, impossibilitadas de crescer, estagnadas, condenadas a uma morte lenta.

Andam por ai, repetem as mesmas frases, agem da mesma maneira, e fazem pessoas como eu parecerem ridículas, porque não somos iguais a maioria.

Mas o parecer ridícula se dá nos olhos alheios. Só quem olha de fora pode ter um parecer. E o parecer alheio não me interessa.

Quem me olha de dentro sabe como e quem eu sou.

Eu posso dizer quem e como eu sou.

Eu não lido com o lado petrificante, eu não me deixo endurecer, eu não perco as cores, eu luto por elas, luto pela minha quarta camada de cor, eu me sinto no dever de me manter maleável, de me manter como uma criança sempre capaz de aprender e crescer.

Gosto disso, gosto de aprender, gosto de crescer, mas nesse caso crescer não é se tornar o que os adultos se tornaram, não é se tornar uma sequoia gigante e dura que nem pedra.

Minha alma é feita de chiclete. É coisa de criança. Tenho vida, tenho alegria, tenho coisas boas, e alimentarei apenas isso dentro de mim.

Orai e vigiai, pra que sua alma não endureça!

ab incunabulis

outubro 1st, 2011

 

a alma humana
em desuso
se afoga

o corpo desnudo
no mar da usura

logo, despida de ternura
jaz na terra
em  lento desalento

a inocência bruta,
que em si, se encerra

*foto por Marcel Savio Marino

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