w w w . s h a n t a l l . c o m

‘Blog’

Pintando com café

abril 16th, 2014

Believe in me
Help me believe in anything
‘Cause I wanna be someone who believes
Yeah…

Histórias de pescador

abril 6th, 2014

Sabe essa história de navegação… enfrentei uma tempestade de 18 meses… ondas gigantes, muito vento, chuva muito forte, raios, e estrondos terríveis… mas se fosse apenas isso tudo bem…   o grande problema foram os leviatãs, as lulas, polvos e serpentes gigantes!

Pobre daquele que embarcado espera um porto seguro, já disse isso antes, de frente para o pelotão de fuzilamento… ” para isto, não serve”… a maré aqui parece tranquila, porque estamos agora em alto mar, e está tudo calmo, tudo entrando de novo nos eixos… nem preciso do sestante pra saber onde estou…  sei onde eu não estou e isto parece confortante. Parece.

O problema em guiar-se pelas estrelas é ter a péssima mania de desenhá-las nos dedos dos pés.
Estou no trabalho agora, e esse trabalho não exige muito de mim, na verdade me exige paciência. Paciência para lidar com seres tão terrenos. Quando se está em alto mar, há tanto tempo assim, embora agora  mar seja o da tranquilidade, e a vista  do oceano seja longínqua e azulada…. fica muito difícil ter paciência com pessoas que ainda não enxergam absolutamente nada, e acham, e acreditam, que a abóbada celeste é exatamente o que se parece.

Ah, essas pessoas que se guiam apenas pelo que conseguem enxergar, pelo que se permitem enxergar… AHOY!

O auge é o primeiro passo.

O máximo é tão mediano.

O cúmulo é “se encerrar em si”.

AHOY!

Estou no trabalho, e meu trabalho é escrever, escrever sobre o que vejo, e como vejo, sobre o que sinto e como sinto… e essa brisa marítima que sinto agora me traz lembranças de outras  eras.

Ainda ontem estávamos falando sobre como amarrar nossos cadarços, sobre o aroma do café que emanava naquela rua íngreme e que digladiava tão honrosamente com o fedor do rio que atravessa e nomeia aquela-esta cidadela. Hoje estamos aqui, colando snapshots de monstros marinhos no diário de bordo.

Mas o que isso tem a ver com essa história toda que não é sobre navegação?

E eu sei lá… não que eu me importe……………………

Ontem um cara viu meu “Destrua este diário” E achou um absurdo, e me disse que era uma coisa “nada a ver”  ficar destruindo livros.

Ai eu fiquei putanesca da vidanesca, e ele disse que adora minhas obras, como alguém que odeia quem canibaliza livros, pode gostar da minha arte de canibalizá-los?

E outra, se essa opinião tivesse vindo de alguém que ao menos tivesse um contato mais íntimo com qualquer tipo de literatura eu até entenderia. Mas um cara que vive bêbado nos botecos da vida, que escreve ” tuderradu” não há de ter sua opinião considerada, né?

Enfim, eu acho e estranho e até mesmo desconfio de qualquer um que não leia. Até a Lili, minha melhor amiga, que tem dislexia lê, tudutortu, e é o máximo quando ela troca as palavras, mas lê, se informa, forma suas opiniões e é uma formadora de opinião por isto…

Quando você estiver em meio às pessoas normais, perceberá que muitas delas tem o mesmo pensamento tacanho, enquanto você tem um pensamento diferente, então se expõe seu pensamento, por mais correto que ele esteja,  por mais abrangente que ele seja, quando dois ou mais se juntam com o mesmo pensamento tacanho aquele tomará a força de uma grande verdade.

É incrível como os imbecis ganham em número, empatam em gênero e estão cada vez mais em um grau superlativo!

Enfim, isso foi ontem, e o tempo passou.

Agora estou mais preocupada em ficar aqui preguicentinha…

UNDER DESTRUCTION

O menino do Fusca Azul

abril 4th, 2014

O texto abaixo foi escrito de sopetão, e não será editado!

Houve uma época, aqui, nessa pequena e pacata cidade do interior chamada Jahu, em que os jovens, a moçada, a molecada, a galera ou seja lá qual for o nome que queira dar, se reunia no cruzamento das ruas Tenente Lopes e Amaral Gurgel.
O point era o Bar do Bibo, pra quem curtia beber e comer o melhor kibe da cidade, nunca houve e nem haverá um kibe tão bom quanto aquele. Na esquina da Papelaria Floret ficava o pessoal que curtia carros, é doce lembrar do sons dos motores v8 ecoando dali, se fechar meus olhos ainda posso ver aquela fileira de Dodges Charge RT estacionados ali, tinha para todos os gostos, Charges e Darts e outras delícias. A turma do pessoal que curtia motos, e lógico, as menininhas que curtiam os menininhos que curtiam moto, ficavam todos empoleirados na esquina do Banco Real… conhecidos como A Turma do Real, eram, disparados, os mais malucos e arruaceiros do centro da cidade, os mais divertidos também! Aquela turma era frequentada pelos meninos da Vital, equipe de Wheeling, que deixou saudades. Na esquina do que um dia foi a sorveteria Bruno’s, até a frente da Telesp, ficavam as patricinhas, os mauricinhos, os yupies, e qualquer outro nome ou classificação que se queira dar para a moçadinha que estudava em escola particular e não parecia muito afim de se misturar. Mentira, tudo que uma menina dali queria era se misturar com os meninos das outras esquinas.

Alheio a essas turmas, havia um Fusca Azul, um Fusca Azul com um menino lindo que passava sempre por ali, o menino do Fusca Azul era o menino mais lindo que passava por ali, como alguém podia ser tão bonito, tão popular, tão enturmado, tão paquerado por todas as meninas e ainda ser educado, gentil, simpático, era muita perfeição pra um menino só! E como ele era engraçado, de riso fácil e prestativo.

Ainda me lembro quando o conheci. Ainda muito novinho, repetente da quinta série, já era lindo, sempre foi, a beleza daquela pele branquinha, daqueles olhos que quando riam se fechavam, daquele sorriso lindo e fácil, como era fácil arrancar-lhe um sorriso.  E como ele nos arrancava um sorriso com qualquer coisa que fizesse, e mesmo calado, era tão lindo, que nem precisava fazer nada para que nos pegássemos rindo só de olhar. Na escola, todos os meninos levados eram odiados pelas professoras, ele não, como alguém podia ser bagunceiro e ser adorado pelas professoras, era educação, a educação e a gentileza que o faziam bonito por fora e por dentro. Era um palhaço!

Toda menina daquela época certamente foi apaixonada por ele. Era impossível não achá-lo o cara mais legal. E como era bonzinho, era tão boa pessoa que posso dizer porque presenciei, ele dar o próprio moletom para um senhor que passava frio na rua, e disse que explicaria pra mãe que perdeu a blusa. Não, ele não perdeu a blusa, ele tinha dado mais que uma blusa, ele tinha dado um exemplo. E comovente! Naquele dia pedi pra que meu pai comprasse um tênis Nike igual ao meu, que era bem caro na época, pra poder presenteá-lo, e uma camiseta.

Meu pai gostava muito do pai dele, eram conhecidos, e sabendo do porquê, meu pai nem hesitou. Ele não queria aceitar, mas insisti e disse que ele havia merecido pela atitude.

Eu nem sei quantas vezes ele me deu carona pra ir às festas na Chácara do Munir Quevedo, ou pra ver o Stado de Shock tocar, ou pra ver o Skilo sem Grilo, o Iron Maiden Cover, Matahari, shows no Lions Clube, caronas pra subir no Bar do João Guerino, e depois subir pro Bar do Segantin, nem sei dizer quantas vezes ele se preocupou em saber se teríamos como voltar dos lugares e ficou um pouco mais só pra não deixar que eu e minhas amigas voltássemos sozinhas. E tudo isso, sempre sem o menor interesse. Sem segundas intenções.

Educado, sempre muito educado, às vezes, por debaixo daquela descontração toda, parecia um pouco tímido, e era bonito de se ver também.

Eu não consigo ter uma lembrança que não seja boa quando me recordo dele.

Amarildo, o menino do Fusca Azul, foi embora ontem, e estou começando a entender o porquê da cor azul ser considerada tão triste. É uma tristeza azul, lânguida, um pensamento de braveza também nos vem, por parecer uma injustiça, alguém ir tão novo, tão cedo.

Minha mãe, que foi embora muito cedo também, dizia pra gente que a morte não é o fim, é algo que fica pelo meio, que é a porta de ir e vir, e em uma crença absoluta na nossa condição de consciência eterna, ela dizia que quando uma pessoa morre, as que ficam deveriam perceber que o caminho continua, e que a energia flui, que a consciência transcende, que a evolução é assim. Minha mãe teve que aceitar a morte de um filho de três anos de idade. E embora ela nunca falasse sobre isso, um dia eu li, no meio de um livro de Allan Kardec, uma carta onde ela escreveu em um pedaço de papel de embrulhar pão, assim:

“Vai filho, aprendi que veio para ficar pouco porque pouco precisava ficar”.

Talvez seja isso, talvez algumas dessas pessoas tenham que passar por pouco pra passarem pra série seguinte da evolução espiritual. E percebi que minha mãe havia, apesar de toda a dor, entendido que por mais antinatural que fosse perder um filho, que Deus é assim, ele chama quem ele quer por perto, ele chama quem já está preparado pra não precisar mais viver por aqui. A vida segue, triste pra quem fica, mas minha mãe dizia que a gente não pode ficar triste, porque a pessoa do outro lado fica triste também, e ela tem que seguir o caminho dela, porque quando formos pra lá, elas estarão preparadas pra nos receber, como as mães nos recebem nos braços e no coração quando chegamos aqui.

Lógico que é revoltante pensar que, por um erro no atendimento de Pronto Socorro, uma vida se perdeu assim, tão assim… assim…  desnecessariamente assim…

E agora, José?

Que a partida precoce do menino lindo do Fusca Azul, sirva pra que o pronto atendimento de todas as unidades de saúde seja revisto, pra que as pessoas que ficam na triagem não considerem uma dor abdominal apenas uma dorzinha de barriga, que os médicos de plantão peçam exames que possam detectar o que pior possa ser, que errem por excesso de zelo e não por falta de  procedimentos investigativos para diagnosticar de maneira eficaz a gravidade de um quadro.

Sei que a saúde está doente e não é apenas aqui em nossa cidade, sei também que Jahu recebe no Pronto Socorro pessoas das cidades vizinhas, e digo isso porque já fiquei muito na fila esperando por atendimento porque havia chegado um microônibus de alguma cidade vizinha. Será que a Santa Casa está recebendo toda atenção que precisa dos poderes públicos em todas as instâncias? Será que não precisamos lutar pra que a Nossa Santa Casa fique cada vez melhor e apta pra nos atender, e se ela tem que atender toda população da região então que a população do entorno também lute pra que deem atenção e VERBA pra Nossa Santa Casa.

O que eu sei, é nenhum médico quer perder um paciente, nenhum pai quer perder um filho, nenhum irmão quer perder um irmão, nenhuma esposa, marido… mas estamos perdendo nossos amados para a falta de zelo com a saúde pública.

Passei por uma situação muito parecida com a que o menino lindo do Fusca Azul passou, também fui pra UTI, também tomei muitos antibióticos, lutando contra uma sepse de 90%, tive uma embolia pulmonar, sim, tive sorte… e todos os cuidados necessários quando a situação estava no limite e então foi diagnosticada, mas podia não estar aqui pra contar a história. Assim como podia não ter passado pelo que passei de pior se tivessem considerado a gravidade da situação assim que cheguei ao hospital pela primeira vez com uma gripe muito forte e uma laringite brutal, sem conseguir respirar direito, e com muita febre.

Todo mundo se manifesta contra, mas nunca vi as pessoas se manifestarem em prol de algo com a mesma veemência, porque não se vai às ruas pedindo melhores condições de trabalho para os médicos e enfermeiros? Porque não se sai às ruas pedindo mais verba pra as entidades que prestam serviços de saúde.

A saúde é Pública, mas não é gratuita, os tributos que pagamos são comparados aos de primeiro mundo, mas não ganhamos como cidadãos de primeiro mundo, e não temos ao nosso dispor serviços de primeiro mundo.

Querem SAÚDE de qualidade? Instrumentalizem as unidades, capacitem os médicos e enfermeiros, e valorizem todos os profissionais envolvidos, desde a pessoa da limpeza, porque limpeza em um hospital é imprescindível …

Ficamos, com o perdão da palavra, PUTOS da vida, sim, ficamos, mas não temos que lutar CONTRA A SAÚDE, e sim PELA SAÚDE.  Assim como temos que lutar pela EDUCAÇÃO, pela SEGURANÇA, e por tudo aquilo pelo qual pagamos muito caro e é de nosso direito!

Esse não é um texto escrito com a intenção de demonstrar revolta, ou tristeza, é um texto pra dizer, AMARILDO, menino lindo do Fusca Azul, vá em paz, siga seu caminho de luz, de evolução. Família, parabéns por terem colocado no mundo um menino com tantos predicados, que por mais triste  e apertado que nosso coração fique com essa passagem, o que fica mais ainda, e o que ficará é o sorriso fácil do menino lindo, educado, gentil, carinhoso, e que, de fato só podia conquistar a todos.

Obrigada, por poder ter muitas histórias engraçadas pra contar, por ter tantas conversas boas pra lembrar sentados no degrau do Grossi quando ia falar com seu pai, obrigada, porque é raro uma pessoa passar pela nossa vida, e não nos deixar uma lembrança ruim sequer.

A adolescência passa rápido, as pessoas passam rápido pelas nossas vidas, algumas marcam, outras, bom, as outras não importam… Saudades, e gratidão eternas!

Simples assim…

março 28th, 2014


… bata suas asas para longe delas…

Sobre a falsidade

março 28th, 2014

Vamos falar sobre a falsidade então…
Eu jamais imaginei que tivesse que lidar com pessoas falsas… às vezes você tem que lidar com pessoas muito diferentes de você, cujos valores pouco ou nada valem…
As pessoas normais… e infelizmente falamos da maioria da população… no funcionalismo público me parece que a coisa é ainda pior… me parece… posso estar enganada e torço pra isso.
Tem uma coisa que eu morro de medo, de me acomodar em algum concurso, e ficar como essas pessoas que estão há 200 anos na mesma função…  não saíram do lugar, não cresceram nem profissionalmente e nem como pessoa, e o máximo que vão conseguir é um dia, com muita boa vontade de alguém um cargo comissionado, que também será temporário e jamais conquistado por mérito próprio.
Sinceramente? Eu tenho dó de pessoas assim. Eu tenho uma vida foda, eu faço um monte de coisas, frequento lugares, pessoas e ideias legais… tenho amigos legais,  exerço várias funções diferentes… mas essas pessoas estão institucionalizadas, elas viraram mobília dentro do serviço público…  pessoas assim acabam por ser assim em tudo… se mantém casados porque é pra ser assim, dormem sempre do mesmo lado da cama, acordam sempre do mesmo jeito, sentem coisas conflitantes, gostariam de estar beijando outras bocas, andando por outros caminhos… experimentando outras coisas, mas estão sempre fazendo as messssssmas coisas…  é pra ter dó, não é???
Eu tenho…
Gente assim parece que tem a vida toda encrencada, parece que as engrenagens não andam… parece que tem sempre alguma coisa as impedindo de irem pra frente… gente que vive cheia de probleminhas e pequenas infelicidades que no final das contas viram uma bola de neve, aliás, bola de bosta… kkkk
Gente falsa é complicado… elas realmente acham que estão enganando os outros, mas enganam apenas a si mesmos, e a meia dúzia de idiotas que o cercam, tão interesseiros quantos…  conquistam pequenas coisas, pois é esta a parte que lhes convém… a pequena parte de tudo que é pequeno… pois eles são pequenos… apenas seus narizes costumam ser grandes…   mas suas máscaras costumam ser pequenas demais para escondê-los.
E assim nas calhas de rodas, essas pessoas se completam… porque existem pela metade, esse é o quinhão que lhes é rente.

Ensimesmaçãosemmesmice…

março 28th, 2014

Ufa…
Finalmente a vida tá entrando nos eixos, o que significa estar ficando tudo do avesso de novo.
Eu não sei bem onde tudo vai dar, enquanto isso, vou me dando a isto ou aquilo.

Essa é a Malela… Malelamalelinhamaleluschkamalelona … gostei dela… a gente tá se conhecendo agora, porque vivemos separadas desde a sua adoção… então todo dia agora eu fico cheia de pelo amarelo…  nem ligo… pelo não é sujeira..  pelo de gente sim kkk dispenso… éca…

Malela é cheia das ideias erradas… ela fica full time em cima do urso ( eu tbm tenho um urso que tem um nome que ninguém sabe =P ) e fica lá só de olho no movimento… louquinha pra sair…

o mais preocupante é que essa ideia errada dela de querer explorar o mundo além parede tá virando epidemia!

Quanta bobagem… =D

Já falei da Mixuruca? A Mixu é minha gata preta que mora na gaveta…
Minha gatapetadusubacubrancudacabeçacarecaduzoiumalelodunaligopikininho
Amo, ela me morde, me arranha me deixa marcada, cheia de vergão, mas eu entendo, ela tem amor que mata em estado bruto… <3

A Malela é um trocinho… fica comigo o tempo todo e tem xilikinhos… eu fico morrendo de saudade do Malelo, quando vejo ela andando pela casa… aquelas costas amarelinhas… aquele rabinho listradinho… é tão doce essa presença amarelinha e peluda pela casa…

Fiz um porta-chaves pra sala… com uma janela que peguei em uma caçamba…
Lili e eu somos demais ^^

Ainda bem que minha vida voltou ao normal… ainda bem… ainda bem que tá ficando tuuuudo de ponta cabeça de novo….   Sabe que eu tenho dó da minha cunhadinha, coitada, ela nem sabe quanta culpa a mãe dela teve no término do namoro dela… bom, cada um com seus cada uns né…

Protegido: Eis que…

março 22nd, 2014

Este post está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo:


Sobre sua alma e a minha…

março 22nd, 2014

Sobre sua alma e a minha eu posso dizer das risadas que demos, das coisas que enfrentamos, das vezes que mesmo longe sua testa esteve colada à minha enquanto pensávamos juntos os mesmos pensamentos…

Sobre sua alma e a minha posso dizer dos medos que tivemos, das coragens que inventamos do tanto de vida que vivemos, e dos momentos que estivemos entre a vida e a morte.

Ah, que sorte ter sua alma e a minha assim, tão rentes.

Sobre sua alma e a minha posso dizer dos beijos escondidos, dos beijos declarados, dos beijos que nem demos ainda…

Sobre sua alma e a minha, posso dizer das horas incontáveis que te esperei, das horas incomensuráveis que esprememos entre as engrenagens dos relógios pra ficar mais e mais um pouco assim, juntos…

Da sua alma e da minha, eu posso dizer das mãos dadas, e de tudo o que se dá e não se tem de volta, não se solta, não, nunca….

Da sua alma e da minha, eu posso dizer tudo, sem dizer nada.

Da sua alma e da minha eu posso dizer onde começa e onde termina.

Mas do que amor que tenho, não posso dizer nada, vai ter que entender de outra forma.

Sobre infernos e quartinhos…

março 14th, 2014

Sobrevivi ao longo inverno, àquele inverno aos quais os changelins são expostos vez ou outra, e lutei contra a lâmina fria da banalidade, em um embate que percebo que teria sido mais fácil enfrentar o Balrog com uma pistola de água.

Estive durante algum tempo fora de casa, e eu não fiquei bem durante esse tempo.
Minha ex-futura sogra não é uma má pessoa, mas ela vive em um inferno particular, e isso se estende para a vida das pessoas que as rodeiam… olhando de fora, você verá uma filha que vive trancada em seu quartinho deitada em sua cama,  um homem que vive trancado em sua salinha sentado em seu sofá, e um menino que namora uma menina que abriu todas as suas portas e janelas… e então, ele não consegue mais viver em um quartinho…  e ela, que vive separando a todos…    um pai que não abraça seus filhos… um marido que não pega na mão da esposa, dois irmãos que são filhos únicos dessa mãe que mais parece solteira…   tentem me imaginar em um ambiente desse. De fora você pode pensar que cada um ali tem um problema, de dentro você perceberá que o problema é ela.  É ELA.
Não por coincidência, tanto eu quanto o namorado da minha cunhadinha saímos de lá na mesma semana…  é insuportável.
Eu estava vivendo no meu limite… estava explodindo à toa, irritada, cansada, dolorida, DOENTE…
Ela deixa a todos doente.. ela é doente…  vive em um ambiente doente, que ela mesma criou…  e mantém ele assim, porque é confortável pra ela…
Ela quase me deixou louca.
Quando eu era criança, era muito agressiva, muito brava… muito irritada… e eu percebi que essas características não são minhas, eram do ambiente doente em que eu vivia, onde meus pais não tinham um casamento sadio, e todo mundo sofria muito. Eu entendo a todos que precisam viver trancados em seus quartinhos, em seus mundinhos particulares.
Nos últimos 6 meses me senti assim.

No limite, esticada como um elástico pronto pra arrebentar. E arrebentei!
Por causa de uma fatia de peito de peru.
Faço faculdade a noite, o que não me deixa tempo pra jantar, pois saio às 5h e tenho que estar às 6h lá…
Meu namorado devia ter ido ao mercado pra comprar frios pra mim, e não foi, fiquei brava, e já estava saindo pra ir pra facul quando ela se intrometeu…  Ai larguei dele na frente dela, e disse pra que ela ficasse com os dois filhos lá, encalhados, porque ela conseguia estragar com o namoro de todo mundo…
Ninguém a suporta… ninguém suporta aquela casa, aquele ambiente… ela vai acabar sozinha vivendo seu inferno particular…
Peguei minhas coisas, e fui pra casa…  mesmo com ela ainda em reforma…
Meu cunhadinho também saiu de lá…  eu entendo o que ele sente…
Não dá… ela é doente demais pra que consigamos conviver com isso.

O filho dela também resolveu sair de casa… e não pretende voltar…

Agora meu humor está voltando a ser o MEU HUMOR…

Nunca me senti tão fora de mim, tão não-eu. Isso, eu estava um não-eu, um eu que não conseguia existir… um eu que estava no automático… e eu não sou assim. Eu não estava me reconhecendo. Berrava o tempo todo, estressada o tempo todo, me sentindo doente o tempo todo.

CHEGA.
Essas coisas não me pertencem e eu não as aceito. Não as quero pra mim… porque não são minhas, eu não as criei, são cria daquela mulher que criou aquele inferno pra si própria, tive que devolver tudo à ela. Ela que ore bastante por si própria, e que consiga enxergar o mal que faz aos filhos.

Agora ela já faz parte do passado, que passou, que passou por mim… mas aquela vida é o presente dela, o futuro da filha… e não quero e não vou compartilhar disso… o que posso fazer é dar todo apoio pra que o filho dela não volte para aquele inferno, inferno que ele decretou como também não sendo dele, pois ele conheceu uma vida bem melhor e mais plena, ampla, livre e autônoma fora daquele quartinho….

Eu tenho uma casa inteira, cachorros, gatos, piscina, brinquedos, plantas, livros, discos….. que mal cabem na minha casa…  minha alma é gorda e não cabe em um quartinho…

Agora é hora de ter saúde, de recuperar a sanidade mental… o equilíbrio… a felicidade que me é pertinente… e claro, as roupas cheias de pelo.

xD

De volta pra casa…………

No final do mês passarei uns 4 ou 5 dias em Sampa…  com um monte de coisas pra fazer…
Sampa sempre me deixa um pouco chateada… e sempre que faço algo que um dia esperei fazer lá com outra pessoa fico chateada…
Teve um dia, não sei se mês passado ou retrasado… memória ruim…  que fui a um restaurante japa ( ruinzinho, até fiquei com nojo do oshibori )… e dei uma boeada medonha…  mas nem tinha como dizer que era o lugar errado com a pessoa errada.
O bode fenomenal se deu porque acho que queria estar sentada com aquele lá que não deve ser nomeado, o mesmo desde 1988.. ahan… aquele lá.. o Dr. Gori…
Acho que era com ele que queria estar jantando, e falando bobagem, e rindo… coisa que não tava conseguindo com aquela companhia… mas tudo bem…
Final do mês estarei lá de novo, e de novo vou encontrar com pessoas, e sair por lá, e de novo vou dar aquela bodeada básica…  vou tentar me preparar pra isso…
Cada lugar que eu olho daquela cidade me afeta…  e me agonia…
E não tem coisa pior do que fazer com uma pessoa qualquer o que vc sonhou estar fazendo com outra pessoa… por mais bobo e inocente que seja… era pra estar comendo porcarias com outra pessoa, e falando bobagem com outra pessoa… em qualquer lugar que não houvesse drosophila plastificada com a oshibori… éca

umas coisas e outras coisas

março 9th, 2014

( um cantinho da minha cozinha )

Estou arrumando as coisas na casa… o problema é que os móveis são pesados, tenho muita louça, muitos utensílios domésticos.. e tenho que arranjar espaço pra tudo…  doei dúzias de copos, doei muitos potinhos da tupperware velhos, muita roupa e sapato que não uso mais, maquina de lavar, sofá de 4 lugares, poltrona… churrasqueira, exaustor… to tentando ficar com o básico, e o básico é… móveis da avó, quadros, figurinhas e brinquedos…

Na foto um canto da cozinha, pra cá ficam a mesa, a geladeira e pro outro ali uma bancadinha e pia, fogão aquelas coisas de cozinha…  até que ficou grandinha… ao menos couberam os móveis…

Hoje tenho que dar banho nas gatas…  a arrumação ta terminando… e eu não vejo a hora de dormir lá… e acordar na minha vida, depois de todo esse tempo…

Voltando ao normal…  agora, ao olhar pros cantos da casa que estou deixando mais alegrinho… começo a me sentir menos exilada, menos insegura, menos clandestina nesse mundo de gente normal… pois é assim que me sinto… clandestina…

Acordar e não ouvir conversas medianas, não me ver submetida a atitudes medíocres… me ver livre dessas frescuras de gente normal, vivendo suas vidinhas normais, de maneira normal…

Voltar a acordar e me preocupar com o ph da água da piscina, com o tanaho do quadro que vou fazer, com que desenho fazer…  é disso que eu preciso… da minha vidinha de volta…

Mas foi boa essa inserção no mundo normal das pessoas normais… pois sem querer, passei em um concurso público, pensa nisso, que maluquice, sem querer… e sem querer passei com a pontuação de terceiro lugar… e curiosamente isto tudo me levou pra um trabalho bem legal…

Empreendedorismo é uma área adorável, estou estudando bastante, e confesso que é realmente instigante, ainda mais pra mim que gosto de analisar padrões…

Estudar o mercado, as relações de mercado, estudar o empreendedorismo nas mais diversas áreas… está sendo muito interessante…

Tem gente que quando conhece algo novo, fica naquilo, mas pra mim o algo novo fica velho logo e eu preciso sempre ler e conhecer e entender mais e mais e mais….

O lado humano de todas as coisas sempre me desperta um interesse maior… estou estudando bastante as características do empreendedor… o perfil… até mesmo pra poder esclarecer quem procurar pela minha orientação. Esta sendo muito legal aprender sobre isso, e também desenvolver pensamentos sobre isto…

Eu sempre tento ver muito além do que as pessoas mostram, talvez por esperar que enxerguem muito mais do que veem em mim… certamente…

Então, muitas vezes enxergo o que não existe.

Vou contar a triste história de um garoto que não aprendeu a regar as plantas. Mentira… não é exatamente sobre isso… é sobre ir um pouco além disso…
Grandes olhos que se encontram em algum ponto, além do ponto de partida, grandes cílios, e um vazio desesperador de quem já passou da idade de ser, verdadeiramente, feliz.
Sabe aquela tristeza lânguida, uma tristeza de desejos enrustidos, uma tristeza de ter sido sempre um excluído.
Algumas tristezas eu só conheço de ver. Sou e sempre fui uma pessoa distante do chamado “normal”, e confesso que sempre me orgulhei disso. E sempre tive livre acesso à todas as turmas, à todas as gangs, à todas as cenas. Sempre fui do tipo conhecida, popular, cheia de amigos, “inventadora” de moda, de manias, de gírias e maneirismos… Casa sempre cheia de gente, tinha que expulsar as pessoas de casa quando queria ficar sozinha, então, eu bem que nem sei que dor é essa de não protagonizar na minha vida.
Talvez tenha sido em busca dessa protagonização que o tal menino que não aprendeu a regar suas plantas tenha procurado  teatro.

No teatro aquele que na vida passa, muitas vezes desapercebido, apagado, esmaecido, amado pela metade, pelo que tem e não pelo que é, querido pelo quantidade de risos que tira de alguém e não pela capacidade de fazer-se feliz com alguém, como um palhaço em cena… acha o seu lugar… ainda que seja um lugar que não é seu, que pode ser de outro qualquer que assuma aquele papel….

O teatro é uma bela terapia para quem não conseguiu protagonizar na própria vida, no dia-a-dia, nas pequenas horas intermináveis e repetitivas…

O cheio e o vazio.

Penso que uma casa é retrato de um coração.
Vi coração empoeirado, atulhado de coisas insignificantes, um coração com músculos embrulhados para presente, que nunca bateram verdadeiramente, e o tempo passou, passou, e o menino que não sabia regar as plantas ficou pra trás. Um coração com sonhos embolorados feito doces velhos de padaria. Um coração com louças por lavar feito veias entupidas, um coração vazio e cheio de coisas. Um coração pequeno, sem nenhuma vida correndo por ali.
Vi um futuro tão solitário quanto todo passado. Resquícios de uma solidão a dois. E tudo empoeirado.
A única coisa colorida ali, genuína, era minha. Deixada no chão, encostada em uma porta, de um quarto bagunçado, empoeirado, como aquele coração.
Um coração ávido por viver vidas alheias, esperando por textos escritos por outros autores, vividos por outras almas, imaginados por outras mentes… Esperando por colocarem outras palavras em sua boca, outras ações em seus músculos, outras expressões em sua face.

Em um mundo onde se compra de tudo, existem coisas que não tem preço.
Ver uma planta germinar e crescer… ir além de sua condição de semente, não tem preço. E este é o meu momento.

E naquela casa, as plantas jaziam em uma varanda empoeirada. Secas. Presas a um solo seco. Decorando uma realidade seca. De uma pessoa sedenta por ser mais, por sentir mais, por viver mais do que jamais viveu. E não vai ver, porque sua energia é essa, é uma energia cíclica, energia de rato que corre na rodinha dia após dia… energia de alguém que vai sempre conhecer alguém amar, não ser amado, ser apenas aceito e explorado, e de novo passar por tudo aquilo… e de novo passar por tudo que é velho de novo…  foi assim que o tempo foi passando… foi assim que o tempo passou praquele coração empoeirado.

Agora que parou de chover há mais de uma semana,  e eu nem me lembro mais do barulho da tempestade, e até dou risada da vertigem, consigo ver coisas que não quis ver, não porque n]ao estivessem ali, mas porque eu tenho essa merda de necessidade de brincar de ser a Fada Azul, a Nanny McPhee.

Eu gostaria que todas as varandas fossem floridas, e não cheias de natureza morta, morta, morta…

Uma casa deve ser o retrato de um coração. Uma casa é o retrato de um coração…
E como eu disse ao meu namorado ontem, o meu está em reforma, passando por um momento de reorganização. Limpando as coisas que ficarão, dando uma outra cara pras coisas que eu ainda quero por ali, e descartando as coisas que não servem para nada.

As coisas todas foram feitas para servirem a algum propósito, ou útil, ou belo.
Se não é útil, tampouco belo, não deve ser guardado.
Como as plantas secas.

2

março 3rd, 2014

De fato, lá no fundo, mesmo que uma maçã tente parecer outra coisa, ou não tenha orgulho nenhum do seu pai ser uma macieira, ela vai ser uma maçã e tudo o que ela poderá ser variará entre ser uma macieira… ou se adoçar com a doçura alheia para parecer melhor… para tentar ter um sabor mais doce, se tornando uma compota de doce de maçã em calda, uma torta de maçã… mas de fato, ela é só uma maçã…

Nunca curti maçãs, nem as lá do alto da árvore… só maçã do amor, mas acho que mais pelo amor ( aquela coisa rosa, e doce e quebradiça, do que pela maçã em si)…

Estive pensando no quanto pessoas que tiveram um pai amoral, acabam se tornando exatamente o que menos gostariam de ser. E no quanto não querem enxergar isso. É uma visão tão aterradora para elas mesmas, que elas não enxergam essas características nelas mesmas… deveriam.

Eu, que não caí de árvore nenhuma e não sei que tipo de fruta sou, consegui escolher ser uma infrutescência…  na verdade acho que nem foi por escolha, mas por características, quer fruto mais esquizoide do que uma infrutescência? Às vezes acordo amora, às vezes abacaxi, às  vezes figo, às vezes jaca…  =)

Não importa… o que importa realmente é ter consciência de que se é o que se é… e em ser o que vc é não reside mérito algum, mérito reside em  vc ser o que vc é, entender e conhecer isto, e conseguir ser o que vc quer ser…

Se vc quer ser maçã do amor, tem que entender e não ficar cego pro fato de que no fundo vc é maçã e o amor é uma escolha…

Mas sua natureza maçã sempre estará lá.

Fato. Nesse mundinho de ideias, quando se tenta levar algo ou alguém daqui pro mundo real, é decepção certa.
A pessoa nunca vai ser tão bonita quanto você acha, tão inteligente quanto se mostra, tão tudo quanto você imagina. E por melhor que a pessoa seja, a ideia é sempre melhor.
Tenho uma amiga que conheceu um cara, e ele não se parecia com nada que a atraia, mas ela tentou ver além, e viu, e quando é assim, muito provavelmente só se vê o que se quer ou se imagina.
Indiquei que ela saísse no mundinho aparentemente real, e que encontrasse alguém mais alto, mais bonito, mais engraçado, mais inteligente e que fosse real. E que mesmo que ela não se interessasse por aparentemente ele não ser o que por dentro ela gostaria que ela ficasse com ele. Sem reservas.
Foi o que ela fez. Saiu, parou de pensar como se tivesse que encontrar alguém que por dentro fosse perfeito e por fora dane-se, e nos dias que se seguiram, percebeu que a dor da ideia perdida se perdeu. Afinal, era, no fundo, só uma ideia. O mundo real estava ali, e sabe que ela me disse que tá descobrindo que é melhor o impreciso que embala que o certo que basta.
Porque a ideia é tão hermética na condição de perfeita que basta. Tem seus limites na perfeição que se criou.

E assim parece que serviu.

A net é um lixo. E aqui você só encontra o que não presta.

Pensando… PFePliPpe

fevereiro 25th, 2014

Nossa, que coisa… acho que a Phoebe era mesmo pra ser do Felipe…
Por volta do Natal e Ano Novo eu tive um xilikinho com o FB… ai procurei o Felipe e encontrei ele num site muito classe econômica, kkk e por culpa dele entrei lah…
Mas tah belezinha… um mês fora dos trilhos, e a Phoebe foi embora, mas nem posso dizer que foi pro lugar errado, acho que ela encontrou uma maneira própria de chegar até ele…
Rola que ele foi resgatar a pequena Phoebe… ele e o Px…
E agora ela está bem onde deveria estar… em casa.
Ao lado de Valentina e Sophie(daputa)
O Felipe tem uma chewie, e uma darkside.
( entendeu os tijolos amarelos? )

s2

Estive vendo certo dia um carrossel com o Felipe, bem, o Felipe é cavaleiro. E curiosamente, um cara me deu um. Pensa, tijolos amarelos, ganhei um carrossel cheio de cavalos brancos, e quando vi, pensei no garoto do cavalo branco, que ele haveria de adorar aquilo tanto quanto eu. A primeira coisa que fiz foi mostrar pro Felipe.

PFePliPpe
eh, ela era pra ser sua.
e bem acho que já era.

Relacionamentos

fevereiro 22nd, 2014

Back to basics.

Voltei pro meu estado Anaïs/Henry/June.

That Remind Me Of Who I Am

fevereiro 20th, 2014

Salvar como rascunho

fevereiro 19th, 2014

sintopmas de contagem regressiva para dizer “já volto” ?

Entediada e estranhinha

fevereiro 18th, 2014

Pensa numa pessoa vivendo em suspensão animada…
o/

Saudade de menino Ravel

fevereiro 18th, 2014

=(

fevereiro 17th, 2014

Eu gostaria tanto que não fizessem eu me sentir boba, que não fizessem com que eu me sentisse sendo feita de boba. Estou me sentindo muito burra. Mas vai passar. ^^
Lastro.

Fico no trabalho o dia todo rabiscando entre os atendimentos…
Semana passada fui pra sampa, foi uma droga.
Essa semana vou pra Bauru. Vamos ver…

=(

Bem-me-quer, mal-me-quer.

fevereiro 16th, 2014

O que era brincadeira para ele, era a morte dela.

Filho da puta

fevereiro 16th, 2014

Quando ele acordou, ela não estava mais lá.
Sono pesado, um coma de 15 longos anos.

- Oi, que bom que você veio.
Ela sorriu.
- Achei que não viesse.
- Eu também.
- O que te fez vir?
- Acabar com isto de uma vez por todas.
- Did you mean: Começar isto de uma vez por todas?
- Estamos velhos demais para isto.
- Quanto tempo se passou?
- Todo tempo.
- Parece que foi ontem.
- E foi.
- Onde esteve este tempo todo?
- Não sei, perambulando, sonambulando, pulando os ladrinhos escuros, e as divisórias que apareceram pelo caminho.
- Que dia é hoje?
- Hoje?
Ele sorriu.
- Sinto falta de sentir.
- De sentir falta?
- Não, de sentir coisas intensas.
- Você é um filho da puta.
- Eu sei. Vou acabar sozinho.
- Acabar sozinho não deveria te afligir tanto quanto o fato de que viveu sozinho todo o tempo antes do fim.
- Porque sempre me machuca?
- Porque sempre se machuca?
- Posso dormir ao seu lado hoje?
- Que dia é hoje?
- Espero que não seja tarde demais.
- Sempre é.

E quando ele acordou, ela não estava mais lá.
Sono pesado, um coma de 15 longos anos.

betametasona

fevereiro 16th, 2014

Você pode roubar minhas palavras mas não terá minha alma, minhas palavras não vem dela, não são pedaços dela, são em tudo, invencionices. Dos meus “bom dia” até todos os meus “eu te amo”. Ledo engano…
Você pode roubar meu ritmo, minhas manias, meus vícios de linguagem, mas não terá minhas cores, minhas cores não vem daquela velha caixa de lápis de cor com 48 opções ridiculamente cartesianas e inteligíveis, são todas e em tudo pequenas nuances de falsidade psicotrópica.

FODA-SE VOCÊ!
FODA-ME VOCÊ!

Você pode me roubar qualquer coisa, qualquer coisa que possa ser roubada não me pertence. O que é meu, me faz.

Ah, você pode me roubar tudo. Sou eu, aquela feita do nada, inventada, criada de acordo com a necessidade, fui feita com prazer não fui calculada matematicamente. Você pode me roubar até um beijo. Me roubar o fôlego. Você pode. E eu posso te prender por isto!

CUIDADO.

Cânticos – por Shantall

fevereiro 16th, 2014

No ato das navegações, encontrar-se perdido é fé.

Teu leme conduz tua nau através das minhas tempestades.

A rota pirata escusa é genuflexa febril em ferro-gusa.

Tua solidão é vela inflada, lufada, suspirante.

Meu peito é cofre que não pode ser aberto.

Quem assim deseja não imagina a face aberta e estrelada da desolação.

Mergulha, vá ao fundo do mar da discórdia, ilumina a ti mesmo, forja tua bioluminescência.

O insensato vê a mesma flor azul que o sábio, um deles retornará dos sonhos mais profundos com ela nas mãos e não se perguntará “Ah, e então?”

O iluminado insurgindo o caminho jamais brilhará por si próprio.

O último átimo de tempo se viu apaixonado pelo ócio que enamorava a procrastinação.

Perde-se uma vida toda quando se vive, não sozinho e cheio de si, mas sozinho a dois e vazio do outro.

As armadilhas do destino são como mãos dadas sobre as ondas menos intensas.

Nenhum bucaneiro se esquece das lembranças deixadas entre as penas do último porto.

A morte não teme o mar, como o mar teme a morte. E neste bailar, enamoram-se.

Amor é ato violento.

Observai.

Loucura é ideia colorida e perfumada como neoplasia subcutânea.

Orgasmo é a arte do inevitável.

Prisão é tudo o que eleger-eguer acima dos teus ombros.

Deus é amor, logo é ato violento, felação e sodomia.

Luxúria é a base da língua falada entre 4 paredes com suas sublinguais vorazes na arte do movimento, dança.

A proa segue além da alma.

O eu-ancora é excesso selvageria forjada em metal nobre.

No ato das navegações as unhas traçam rotas, linhas de Ley nas costas navegadas.

Fecunda é a terra cuja carne ama a violência das ondas.

Amizade é amor sem atos de violência.

Negação é temor.

Pensamento é nuvem que não chove fora de época.

Imensidão é mão que sobe pelo pescoço se encaminhando para a nunca no sentido contrário dos cabelos.

Tesão é finalidade do beijo.

Mão pode ser amor próprio. Ou atrocidade alheia.

A imagem capturada é a verdade alheia ensimesmada.

Conhecimento é astrolábio de ouro.

Anjos não existem além das esferas inimaginárias.

Boca é conexão angelical. Alimenta-me.

Me cuspa ou me engula, não ouse me mastigar.

Inerência é descolamento de memória, esqueça esta rota, precisamos de outras coordenadas.

E que…

fevereiro 16th, 2014
Que aquilo-aquele que amo
seja sempre maior que o todo
e que tudo pareça engano
perante a certeza sentida.
E que, de algum modo
toda insensatez seja a tez da realidade
exilada entre os espaços vagos
das horas inexatas.
E que, eu, ainda assim saiba
afastar das engrenagens
a ferrugem rotineira
dos sorrisos sem motivação verdadeira.
Que aquilo-aquele que amo
de algum modo
ainda assim saiba
que não passa de um breve momento.
Proudly powered by WordPress. Theme developed by Shantall.
Copyright © w w w . s h a n t a l l . c o m. All rights reserved.