
( imagem feita pelo telescópio ALMA, Nebulosa Heart & Soul )
Era uma vez uma estrela, no meio de um sistema solar perdido num canto de uma galáxia qualquer.
A sua volta, muitos planetas coloridos, cheios de vida, cheios de graça rodavam, dançavam e rodopiavam.
A pequena estrela vivia triste, se achava tão menor, se sentia boba, parada, sem vida, ninguém morava nela, ninguém a visitava…
Um dia, uma luazinha qualquer, genérica, sem vida, estéril e sem graça se aproximou. A pequena estrelinha viu o brilho da lua e achou ela o máximo, e dia e noite a estrela acompanhava o brilho da lua, que vivia com apenas uma das faces viradas pra estrela.
Essa lua, lua cheia de soberba, cheia de si, vivia se engrandecendo por brilhar tanto, por rodar tanto, por parecer tão linda aos olhos da pequena estrela.
A pequena estrelinha, achava que tinha um grande tesouro em suas mãos, pois tinha a amizade da lua mais brilhante do seu sistema.
Mas no tempo sempre tem um dia, em que o tempo muda e um novo tempo se inicia.
E apareceu pelas bandas dessa galáxia, um astro errante, um planeta novo, que não tinha órbita regular, que visitava todos os cantos do universo, porque todos os lugares pertenciam a ele, e ao mesmo tempo nenhum, e assim ele ia se queria, ficava se queria, e partia se assim quisesse. Visitava buracos negros, lugares frios, lugares quentes, conhecia estrelas como Arcturos, conhecia planetas como o B-612, conhecia buracos de minhocas, conhecia sistemas binários, conhecia singularidades cosmológicas que a pequena estrelinha não conhecia.
E então, ele avistou aquele sistema, tão tão cheio de vida. Tudo girava em torno daquele sol, daquela pequena gigante vermelha.
Toda a vida ao seu redor se devia a sua luz , toda a graça, toda luminosidade, tudo, vinha do seu brilho de intensidade perfeita. Não era uma estrela quente demais pra que nada sobrevivesse a sua volta, e nem fria demais que ninguém quisesse chegar perto. Era uma estrela perfeita.
E então o planeta errante, que mais parecia um globo de pista de dança espelhado, chegou bem perto da estrela e lhe deus os parabéns, por ser tão especial.
A lua ao perceber que sua farsa seria desmascarada, se enciumou muito, e tentou juntar os demais planetas contra o planeta errante. Dizendo que ele era nocivo, que ia realinhar a ordens dos planetas, que ia causar o fim de tudo. Mas os planetas sabiam que tudo que o planeta errante dizia era verdade, a luz alí era da pequena estrela, a gigante vermelha, o sol. A lua, era somente a lua, como tantas outras.
E então, pela primeira vez depois de milhões de anos, a lua mostrou sua outra face, a face oculta, a face que nunca mostrata até então. E o pequeno sol até se assustou!!!
E todos os planetas ao seu redor, perceberam, e em um forte coro disseram a estrelinha a verdade.
- Você é o sol, você é quem brilha, a luz que vê em nós é o seu reflexo.
E nos olhos do planeta errante, ela percebeu a verdade. Que o brilho era dela, que a lua não era luminosa, era apenas iluminada, iluminada pelos seus raios.
O planeta errante, que viajara por muitas galáxias, virou ao pequeno solzinho encantador e disse.
- Não sei de onde eu vim, nunca soube pra onde eu iria, mas agora eu sei onde eu quero ficar. Eu não tenho luz própria, mas sei pulsar meu coração, eu tenho medo de escuro, eu não gosto de muito frio, e nem de muito calor, e aqui tá bom pra mim. Eu não sou um planeta cheio de cores, nem um planeta cheio de vida, mas eu sou um planeta cheio de sonhos… e espelhos pra não te deixar esquecer que a luz é sua.
E o sol disse então…
- Querido planeta errante, fique, eu não posso te oferecer mais que minha luz e meu calor.
E ao brilhar mais intensamente, o pequeno sol encheu o planeta errante de vida, e de graça e de cores. E fez belíssimos arco-íris pipocarem do planeta errante.
E até hoje, quando algum telescópio vasculha o universo, é visto um sistema binário, no centro de um pequeno sistema solar, perdido no canto de uma galáxia qualquer brilhando mais que todos os outros astros. E quando procuram por sinais, captam um intenso pulsar que vem daquelas bandas.
Os cientistas não sabem explicar, como aquele corpo celeste brilha tanto…
Mas nós sabemos, não é um, é um sistema binário, são dois, de brilho intenso e incandescente.
E a lua? Essa morreu de vergonha! E ninguém nunca mais falou sobre ela.
E assim nas calhas de roda…
