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‘Blog’

O julgar-se e o saber-se

outubro 30th, 2011

Em uma amizade verdadeira, desinteressada, e altruísta não cabe, jamais uma escolha.

Amigos são amigos, e se forem amigos mesmo, são amigos e nisto a coisa toda se baseia e jamais se basta… porque, como já sabemos, o que basta acaba onde basta, e onde acaba, não basta.

Se você diz para que seu amigo, escolha entre você e amigos novos, entre você e qualquer coisa. Você pode ter a triste surpresa de descobrir que é dispensável!  E aprender que ninguém é insubstituível!

E se ver, depois disso, seu amigo muito melhor do que ao seu lado. Constate o fato de que você era uma presença perniciosa. Que não era tão bom amigo quanto se imaginava, que não fez pelo seu amigo tudo que podia, e que talvez nunca tenha incentivado ele a fazer por si mesmo tudo que ele era capaz.

O que você fez pelos seus amigos? Salvou ou os condenou? Os promoveu ou os podou? O que você faz por você?

Se não faz por você, não fará verdadeiramente por ninguém. Fará por interesse, fará porque lhe convém, fará pra que você aos olhos dos outros pareça nobre, mas não verdadeiramente, não como as coisas deveriam realmente serem feitas, por amor, e por nenhum outro motivo.

Julgar-se amigo, é uma coisa… saber-se amigo, é outra.

Ninguém perde o que nunca foi capaz de realmente ter. Você colocou a mão sobre o ombro do seu amigo, mas foi para apoiá-lo ou para apoiar-se?

OUSE RESPONDER!

Meus amigos sabem o que podem esperar de mim… não podem contar comigo para baladas, não podem contar comigo para bebedeiras, não podem contar comigo pra putaria, não podem contar comigo pro lado ordinário do mundo.

Mas meus amigos podem contar comigo quando eles não puderem contar com mais ninguém!

I´ll be right here, Elliot!

OUSA ENXERGAR SUA FALTA DE GRANDEZA, e que sua humildade se  agigante diante da sua soberba, diante de seus erros, e lhe dê, enfim, um pouco de sabedoria!

Eu sou feliz, e isso deve realmente incomodar! Mas a mim não incomoda, então xD continuarei assim, feliz, abobada, crua, abrupta e inesperada … EU GOSTI!

E que meus amigos continuem sabendo que, eu estou aqui, mas só quando eu quero estar, e pra algumas pessoas, podem dizer que eu saí! kkkk

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Lili on the porch

outubro 27th, 2011

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Mudança? Ainda bem!

outubro 24th, 2011

Sei que me imponho mudanças difíceis às vezes. Porque quero evoluir, mudar para melhor, crescer…

Preciso ser agora melhor do que no instante passado, e acho que todas as mudanças passam pelo ato de ter consciência de si em primeiro lugar, de ter consciência do meio, e de ter consciência dos seus próprios desejos.

Respeitar a si, aos outros, respeitar o ambiente, respeitar a vida… e querer, querer e querer…

Os quereres são a alma do mundo. Temos que querer e fazer coisas boas.

Estou visualizando tudo que tenho conquistado. E demorou. Estou entendendo como isso funciona. E estou gostando muito disso.

Gostando de mentalizar e de ver a coisa acontecer! De ver as coisas materializadas.

Acho que todo mundo tem que passar por uma catarse básica… aqui e ali.

Eu tenho a sorte de ter quereres, de ser cheia de vários quereres… e de ser amada… e de poder ter a quem amar… Pra que querer mais que isso?

Eu devia me dar por satisfeita, mas sim, eu quero mais… quero poder ajudar, quero ver meus amigos bem e felizes, saudáveis, e com perspectivas.

Sim, muitas vezes é difícil você fazer a pessoa enxergar que ela não está feliz, porque se viciou em pequenas doses de euforia, e não em felicidade.  Por exemplo aquela amiga ou amigo que todo mundo tem, que pega todo mundo e tá sempre sozinha no final das contas, sem ser assumida, sem ser amada, sendo apenas uma companhia, ou uma acompanhante que depois é descartada… ela até se assoberba, e fica polindo seu momentozinho de euforia como se fosse uma grande felicidade, mas, inexoravelmente o tempo passa, e aquilo que parecia felicidade, dá em nada. E o tempo vai passando, e as pessoas vão envelhecendo sozinhas, e se tornando amargas, dependentes emocionalmente,  aproveitadoras dos outros… credo!  É melhor ser feliz, sempre, de maneira contínua, dando valor e continuidade aos seus relacionamentos… sim, é melhor…   e muitas  vezes quando você tenta ajudar alguém, quem se ferra é você… porque a pessoa está tão  viciada naquele comportamento, que acha que está bem, então o que temos que fazer é deixar pra lá… se ajudar em primeiro lugar… e ficar abertos ao pedido de ajuda dos amigos…

E como eu sempre digo aos meus amigos, eu não sou amiga em dose homeopática, eu sou AMIGA com CAPS, se quer uma amizade superficial, vai ligar pro SUPER PAPO, ou andar com aquela galerinha que adora tirar foto pra postar no facebook e fazer aquela baita balada chata parecer legal…  comigo não, violão! Eu sou hard core! Se não quer minha ajuda não me conte seu problema, se não quer um amigo não se proclame meu, se não me quer por inteiro não me coma pelas bordas!

NÃO SOU FRACA, E NÃO ESTOU PARA OS FRACOS!

“Olhe para a pessoa que lhe causa aborrecimento e tire proveito da oportunidade para controlar a própria ira e desenvolver a compaixão. Entretanto, se o aborrecimento for muito grande ou se você achar a pessoa tão desagradável que seja impossível agüentá-la, talvez seja melhor sair correndo! ”
disseram que quem disse foi o Dalai Lama… vai saber…

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Crianças xD

outubro 24th, 2011

É realmente muito gratificante ver crianças reconhecendo seu trabalho, reproduzindo, e achando isso bem legal, achando a arte interessante atrativa, querendo se embrenhar por esse mundo fauve e colorido…

Quando você entra em uma escola e se depara com muitas releituras de trabalhos seus, onde cada criança colocou algo dela própria, você percebe que é o que importa, que é o que tem valor.

Isso sim é gratificante, isso sim faz com que as coisas realmente valham a pena!

Eu fico emocionada com cada traço diferente do meu, com cada cor diferente da minha paleta, acho mágico demais!

Olha só esse olhar! Cativante demais!

Um professor comebntou que a Ligia Goi tirou leite de pedra, fazendo com que os alunos produzissem trabalhos tão bonitos… é a diferença que existe entre mestres e professores.

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I don’t like mondays xD

outubro 24th, 2011

Chá de camomila pra começar o dia.
Um pensamento morno com sabor de lençol pela manhã com calor ainda do corpo.
Uma ou outra incerteza pra temperar o dia que só se inicia quando um desejo me desassossega.

Bom dia pra mim, e pro meus outros interlúdios existenciais.

Confesso que ando um pouco frustrada comigo, em relação a minha dieta.  Eu podia dizer que tenho que voltar a minha rotina antiga, mas não… tenho que criar uma nova. Dizem que segunda-feira é um dia bom pra recomeços né?Deve ser bom pra um começo novo também… Então estou me reorganizando a partir de agora xD

Sou bem determinada quando quero algo. Meu problema é que muitas vezes quero muitas coisas ao mesmo tempo, e perco o foco. FOCO é um dos nomes de Deus! Certamente.

Tenho que exercitar me focar em uma coisa de cada vez, pra não dispersar, pra não desperdiçar energia e otimizar o tempo.

O problema com o multi-facetamento é esse! Eu quase invejo as pessoas que são apenas escritores, ou apenas artistas plásticos, ou apenas isso ou apenas aquilo…

Elas não precisam se preocupar com o foco, pessoas monofásicas são mais eficientes. Embora sejam eficientes em um único ponto. São ótimas engrenagens. Como as engrenagens, elas tem uma única função, e prestam muito bem para aquilo.

Já os multi-facetados tem que viver nesse dilema terrível. De querer, saber e gostar de fazer tudo ao mesmo tempo.

Problemas de conclusão eu até que não tenho. Mas fico estafada, mentalmente e fisicamente estafada. O que eu sei que não é nada saudável.

E lá vamos nós de novo, viver de 3 em 3 horas!

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Ida

outubro 24th, 2011

A capacidade dela esquecer sempre foi muito menor do que a de não se lembrar.

Simplesmente não se lembrava de nada, para não se esquecer um esforço enorme precisava ser empregado.

Os pensamentos pareciam nuvens solitárias se dissipando num fundo azul. Azul daquele tipo que ela tanto gostava,  aquele azul que ela dizia que doía.

Coisa nova era tudo que ela não conhecia, não importada o tempo, não importava a idade. Coisas muito velhas soavam como novidade.

De fato, os fatos iam acontecendo de maneira violenta, não conseguia segurar os acontecimentos. Por vezes se escondia, fugia, como lagartos dormindo sob as pedras. Mas a vida tinha uma coisa com ela, uma coisa forte. Lambia sua pele como labaredas de um fogo que tem vontade própria. Não adiantava!

De repente, a vida batia a sua porta, lhe puxava pelos pés e ela era jogada de novo em um turbilhão.

“Ela tinha uma energia avassaladora…” – Dizia sua avó.

Sua avó também era assim, mas a vida que correra outrora atrás daquelas pernas finas já não a perseguia mais, agora era a morte que tentava lhe morder os calcanhares.

A vida corre atrás de você, a vida inteira ela corre, tentando lhe jogar no turbilhão, a morte não, a morte anda a passos largos e lentos. Não se cansa, não se perde, não esquece do encontro marcado.

Entretanto… a morte não é pontual, muitas vezes ela chega antes, nunca depois. O problema com a morte, é que ela gosta de atalhos, e o problema com nós, humanos, é que gostamos de criar atalhos. Pra morte, todo vacilo é um atalho.

Com a morte ela lidava bem, combinaram de não se ver até que fosse a hora. Embora sempre tivera problemas com as horas.

Não existir a apavorava.

A constatação racional de que vida após a morte era uma coisa impossível, era um tanto desagradável. Existir, existir era o elixir da longa vida…

Ela não se importava em não viver as coisas cotidianas, ela podia ficar horas e horas e horas sem fazer absolutamente nada… ela podia ficar dias dormindo… muito tempo sem sequer se mover… mas ela não trocaria aquilo por nada. Existir lhe bastava. Não precisava de grandes acontecimentos pra se sentir viva, ainda que ela perdesse todos os movimentos, apenas estar consciente lhe bastaria, havia um universo imenso dentro de sua cabeça. Existir lhe bastava.

Gostava tanto de existir. Que sabia o valor até dos episódios de dor lancinante.

Gostava das dores musculares que a fazia perceber complexos musculares que ela nem sabia que existiam, que ela nem sabia como funcionavam.

Certa vez, após um distendimento muscular, passou dias andando com dores nas costas, colocava a mão sobre o músculo, apenas pra sentir como ele funcionava… preferia viver em dor do que não existir. E tentava imaginar, como seria uma dor tão horrível que a faria preferir o nada, a não existência à dor.  Tinha medo de descobrir.

Quando andava de carro, pensava sempre que qualquer carro poderia bater naquele onde ela se encontrava, e que ela poderia morrer naquele instante, ou então que seus ossos poderiam se quebrar e romper a carne se expondo, e ela sabia o que fazer se estivesse consciente, saberia lidar com a dor, mas pensava que o não ter que lidar com a não existência era o pior… que perceber a luz dos olhos seus se apagando, a consciência indo embora, a respiração parando, o coração não reagindo seria a pior coisa da vida. Ela tinha razão. Morrer é a pior coisa da vida.

Todos os outros sofrimentos são parte do plano da vida, COMBO!

A capacidade dela esquecer a colocou um passo a frente de tudo que ela mesma conhecia. Tinha se tornado incapaz de não dar um passo a frente, o que a fazia, sem querer, deixar tudo sempre pra traz. “É uma dádiva!” – dizia sua terapeuta, em cujas sessões parecia ser ela a paciente.

Sua mãe sempre morreu de medo que ela fosse embora, ela sabia que um dia ela iria, parecia ser uma condição dela. Uma energia que a permeava. A cola de ctenophora a lhe colar cada célula. E o coração de sua mãe, sempre tão aflito, parou, de súbito parou.

E a menina esqueceu de chorar.

De fato, havia nela uma imensa capacidade de ser feliz, talvez fosse um efeito colateral do esquecimento. Ou uma de suas propriedades tão intrínsecas.

Apelidamos ela de Ida. Pois era isso que ela inspirava, transpirava, respirava, transmitia, essa energia de partida.

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“Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.”
Clarice Lispector

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Acordei as 5am.

Quem me dera acordassem todos.

Que mera coincidência não haveria de ser, seria sim, um outro amanhecer.

Quem me dera, acordassem, todos.

((( sonhos )))

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^^ foguetes não tem raízes!

outubro 10th, 2011

Lili diz (20:59):

*”O DESTINO decide quem vamos encontrar na vida.
As ATITUDES quem fica.”
“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”
Khalil Gibran
Sejamos foguetes… sejamos!
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Tava deitada no chão do quarto da Lili e desenhando com os lápis dela!

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Resumo da ópera

outubro 6th, 2011

Oi, meu nome é Shantall, pega na minha rima!

Resumindo, a vida tá boa, os dias estão lindos, um milhão de coisas acontecendo, muito pouco tempo pra pensar em coisas menores…

Um dos meus bolos de aniversário…


esse tinha a cara do Ravel xD lindo demais!!!

No domingo ganhei uma festa flashmob muito linda com bolo de palhaço, bichinhos de pelúcia, chapeuzinhos de palhaço, pessoas bem legais me fazendo companhia em casa, e foi uma graça…

Na segunda ganhei um bolo de trufado de chocolate com beijinho, a cara do Ravel, perfuminhos e passei a tarde com o Roberto Rodrigues, Thiago, Paulo Cestari, Ligia Goi, Carina, Elviroca e Jr…  foi um dia muito fofo… que não terminou nem quando acabou!

Mas foram tantos acontecimentos que nem deu pra tirar foto… e um dia muito revelador, cheio de provas de amizade e confiança… e muito carinho… adorei… porque tudo foi surpreendente e sincero.

Amei… me entupi horrores de comida japa!

Quando pequena eu achava que o BOBDOG era namorado da HK, e tooodo mundo sabe que eu AMO Hello Kitty né? s2

Adoro!

xD

Enfim, não vou postar mais fotos… nem falar sobre tudo o que aconteceu, porque é tudo e somente MEU!

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Heart and Soul Nebula

outubro 4th, 2011

( imagem feita pelo telescópio ALMA, Nebulosa Heart & Soul )

Era uma vez uma estrela, no meio de um sistema solar perdido num canto de uma galáxia qualquer.

A sua volta, muitos planetas coloridos, cheios de vida, cheios de graça rodavam, dançavam e rodopiavam.

A pequena estrela vivia triste, se achava tão menor, se sentia boba, parada, sem vida, ninguém morava nela, ninguém a visitava…

Um dia, uma luazinha qualquer, genérica,  sem vida, estéril e sem graça se aproximou. A pequena estrelinha viu o brilho da lua e achou ela o máximo, e dia e noite a estrela acompanhava o brilho da lua, que vivia com apenas uma das faces viradas pra estrela.

Essa lua, lua cheia de soberba, cheia de si, vivia se engrandecendo por brilhar tanto, por rodar tanto, por parecer tão linda aos olhos da pequena estrela.

A pequena estrelinha, achava que tinha um grande tesouro em suas mãos, pois tinha a amizade da lua mais brilhante do seu sistema.

Mas no tempo sempre tem um dia, em que o tempo muda e um novo tempo se inicia.

E apareceu pelas bandas dessa galáxia, um astro errante, um planeta novo, que não tinha órbita regular, que visitava todos os cantos do universo, porque todos os lugares pertenciam a ele, e ao mesmo tempo nenhum, e assim ele ia se queria, ficava se queria, e partia se assim quisesse. Visitava buracos negros,  lugares frios, lugares quentes, conhecia estrelas como Arcturos, conhecia planetas como o B-612, conhecia buracos de minhocas, conhecia sistemas binários, conhecia singularidades cosmológicas que a pequena estrelinha não conhecia.

E então, ele avistou aquele sistema, tão tão cheio de vida. Tudo girava em torno daquele sol, daquela pequena gigante vermelha.

Toda a vida ao seu redor se devia a sua luz , toda a graça, toda luminosidade, tudo, vinha do seu brilho de intensidade perfeita. Não era uma estrela quente demais pra que nada sobrevivesse a sua volta, e nem fria demais que ninguém quisesse chegar perto. Era uma estrela perfeita.

E então o planeta errante, que mais parecia um globo de pista de dança espelhado, chegou bem perto da estrela e lhe deus os parabéns, por ser tão especial.

A lua ao perceber que sua farsa seria desmascarada, se enciumou muito, e tentou juntar os demais planetas contra o planeta errante. Dizendo que ele era nocivo, que ia realinhar a ordens dos planetas, que ia causar o fim de tudo. Mas os planetas sabiam que tudo que o planeta errante dizia era verdade, a luz alí era da pequena estrela, a gigante vermelha, o sol. A lua, era somente a lua, como tantas outras.

E então, pela primeira vez depois de milhões de anos, a lua mostrou sua outra face, a face oculta, a face que nunca mostrata até então. E o pequeno sol até se assustou!!!

E todos os planetas ao seu redor, perceberam, e em um forte coro disseram a estrelinha a verdade.

- Você é o sol, você é quem brilha, a luz que vê em nós é o seu reflexo.

E nos olhos do planeta errante, ela percebeu a verdade. Que o brilho era dela, que a lua não era luminosa, era apenas iluminada, iluminada pelos seus raios.

O planeta errante, que viajara por muitas galáxias, virou ao pequeno solzinho encantador e disse.

- Não sei de onde eu vim, nunca soube pra onde eu iria, mas agora eu sei onde eu quero ficar. Eu não tenho luz própria, mas sei pulsar meu coração, eu tenho medo de escuro, eu não gosto de muito frio, e nem de muito calor, e aqui tá bom pra mim. Eu não sou um planeta cheio de cores, nem um planeta cheio de vida, mas eu sou um planeta cheio de sonhos… e espelhos pra não te deixar esquecer que a luz é sua.

E o sol disse então…

- Querido planeta errante, fique, eu não posso te oferecer mais que minha luz e meu calor.

E ao brilhar mais intensamente, o pequeno sol encheu o planeta errante de vida, e de graça e de cores. E fez belíssimos arco-íris pipocarem do planeta errante.

E até hoje, quando algum telescópio vasculha o universo, é visto um sistema binário, no centro de um pequeno sistema solar, perdido no canto de uma galáxia qualquer brilhando mais que todos os outros astros. E quando procuram por sinais, captam um intenso pulsar que vem daquelas bandas.

Os cientistas não sabem explicar, como aquele corpo celeste brilha tanto…

Mas nós sabemos, não é um, é um sistema binário, são dois, de brilho intenso e incandescente.

E a lua? Essa morreu de vergonha! E ninguém nunca mais falou sobre ela.

E assim nas calhas de roda…

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Pouca coisa me entristece, uma delas é perceber o processo de petrificação de alguns humanos.

Vou citar o que aconteceu com alguém muito próximo a mim, minha irmã.

Minha irmã era demais, era tão bonita, e alegre, tão engraçada, divertida. Com o passar dos anos, ela foi literalmente perdendo as cores, se tornando uma pessoa amarga, triste, doente, insatisfeita.

Eu deveria tê-la abraçado, e dito que tinha algo dentro dela que eu amava, e tê-la resgatado do processo de petrificação. Mas muitas vezes, senti, que quando muito eu podia cuidar de mim mesma. Pois nosso lar estava desmoronando, tínhamos perdido nossa mãe, e passávamos pelas mesmas coisas. E eu me perguntava se a decisão de cuidar da minha alma, primeiro, não era um sinal de petrificação.

As pessoas sempre me ridicularizaram por tudo quando eu era criança. Eu andava pela rua com capacete de motoqueiro, e asas de borboleta feita com cartolina e lantejoulas. Nunca liguei pro que podiam ou não dizer, eu só nunca quis passar vontade. Pois tinha percebido, com a minha irmã, que o teor de amargor e amargura aumentava a medida que se deixava de fazer as coisas que se tem vontade.

Nunca passo vontade.

Se quero usar orelhas de gato, uso, se quero usar óculos engraçados uso, se quero fazer faço… inventei um jeito que funciona pra eu ser feliz.

Acham que eu ligo quando me olham torto na rua?  Eu não! Se quero usar um fusca amarelo na orelha e me sentir em 1985 de novo… vou usar!

Não tô nem ai! Tem gente que nasceu pra trabalhar, eu nasci pra ser feliz antes de tudo, trabalho por amor, por prazer, por satisfação, pra ajudar.

Ando por entre algumas pessoas, me sentindo como num tour por uma floresta petrificada, elas estão sob camadas e camadas de células mortas, endurecidas. Mas não encasuladas. O casulo esconde a vida que se transforma em algo alado, melhor, mais capaz de ascender, evoluído. Elas estão é enclausuradas, detidas, presas, retidas, impossibilitadas de crescer, estagnadas, condenadas a uma morte lenta.

Andam por ai, repetem as mesmas frases, agem da mesma maneira, e fazem pessoas como eu parecerem ridículas, porque não somos iguais a maioria.

Mas o parecer ridícula se dá nos olhos alheios. Só quem olha de fora pode ter um parecer. E o parecer alheio não me interessa.

Quem me olha de dentro sabe como e quem eu sou.

Eu posso dizer quem e como eu sou.

Eu não lido com o lado petrificante, eu não me deixo endurecer, eu não perco as cores, eu luto por elas, luto pela minha quarta camada de cor, eu me sinto no dever de me manter maleável, de me manter como uma criança sempre capaz de aprender e crescer.

Gosto disso, gosto de aprender, gosto de crescer, mas nesse caso crescer não é se tornar o que os adultos se tornaram, não é se tornar uma sequoia gigante e dura que nem pedra.

Minha alma é feita de chiclete. É coisa de criança. Tenho vida, tenho alegria, tenho coisas boas, e alimentarei apenas isso dentro de mim.

Orai e vigiai, pra que sua alma não endureça!

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ab incunabulis

outubro 1st, 2011

 

a alma humana
em desuso
se afoga

o corpo desnudo
no mar da usura

logo, despida de ternura
jaz na terra
em  lento desalento

a inocência bruta,
que em si, se encerra

*foto por Marcel Savio Marino

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Antologia Jahu 158 Anos

setembro 30th, 2011

Tem acontecido tanta coisa que tem coisas que até esqueço de mencionar.
Fui publicada na antologia comemorativa dos 158 anos de Jahu, lançada pela Academia Jahuense de Letras e Secretaria de Cultura.

A cerimônia de lançamento foi bem legal, com a posse de novos membros da academia, discurso emocionante do Adônis Piragine, música boa, e um belíssimo coquetel!

O meu conto, ou crônica, não sei como rotulá-lo, Amábile – O segredo da fascinação, que foi musicado pelo Renato di Giorgio, configura na página 22.

Jaci Toffano e equipe estão de parabéns pelo incentivo a literatura!

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Era uma vez uma menina, filha única de mãe solteira, que vivia com sua mãe e sua tia em um belo casarão antigo de esquina, que ilógicamente não existe mais como tantos outros, na belíssima cidade de Jahu, onde assim como em Macondo ou Sucupira acontecem coisas muito do além!

Chamarei esta menina de Samanta, para preservar sua identidade real.

Samanta nunca podia brincar, porque tinha que ir ao catecismo, ou fazer tarefa, ou ir a missa, ou rezar uma novena, ou acompanhar sua mãe e sua tia em alguma roda de oração.

Para a mãe e a tia da pequena Samanta, ninguém estava a altura de brincar com sua pequena. Nós, que morávamos na mesma rua, éramos sempre bagunceiros demais, estávamos sempre sujos demais de areia do parquinho, éramos considerados perigosos demais pra ela, porque vivíamos ralados, cheios de hematomas, arranhões e contusões.

Enquanto a gente caía de bicicleta, rachava a cuca nos balanços do parquinhos, e levávamos uns aos outros corrento pro Pronto Socorro da Santa Casa, a Samanta vivia na janela, olhando, e nos dizendo ” Não posso tenho que estudar” … ” Minha mãe não deixa, tenho que rezar” …

E a galera do parquinho era o máximo, a gente brincava dentro do Heitor Azzi, fazíamos aulas de flauta, enquanto a Samanta ficava decorando ladainhas. Saíamos da aula de flauta, e íamos brincar no parquinho, esperávamos o Mir de Oliveira começar a tocar piano, e então comprávamos um x-tudo na barraquinha de lanches de um homenzinho deficiente que tinha uma perna mais curta que a outra, e sentávamos ali em frente da casa do Mir, na calçada, pra ouvir ele tocar. Depois já era tarde demais e íamos pras nossas casas. Passávamos as tardes brincando na casa do Gino Giacchini, que era um antiquário, que delícia brincar com espadas antigas, e espingardas, garruchas, cadeiras de dentistas e ferramentas antigas, que delícia tocar em pianos antigos que tinham castiçais lindos como decoração, que demais brincar em uma cabine telefônica, e todas aquelas coisas antigas, baús com roupas antigas, que nos permitiam brincar de ser a Ada Jones, que escutávamos nos gramofones do antiquário. Passávamos horas com o Antonio Ferreira dos Santos nos lendo poemas e falando da vida, ah, e como ele era bom em falar da vida… e da morte também…  tínhamos um clubinho de ciência orientado pela Ana Germano… explorávamos os casarões abandonados, andávamos de Ford 28, fugíamos do guarda Patrocínio…  e enquanto a vida jorrava e quase nos afogava, a Samanta estava lá, enclausurada…

Eu sempre digo que existe uma diferença muito tênue entre estar preso e se sentir seguro, que é muito fácil  não saber distinguir, por isso não devemos nos preocupar em estarmos seguros, mas sim em sermos livres e desengaiolados!

De fato a Samanta era uma pobre menina sem vida, uma boneca sem pilha NRFB.
NRFB é uma sigla usada por colecionadores, como eu, de brinquedos, que significa NEVER REMOVED FROM BOX, nunca tirada da caixa.

Eu odeio brinquedos que nunca foram tirados da caixa, assim como me dá vontade de  chorar ver um fruto apodrecer no pé.

As pessoas são frutos feitos pra serem mordidos. A criança mais legal da minha rua, a mais feliz, vivia ralada, machucada, costurada, engessada!

E a Samanta lá, embrulhada a vácuo.

Na adolescência, ela só podia sair pra ir a Comunidade de Jovens, pra gente conseguir levar ela tomar um sorvete, tínhamos que dizer que íamos a missa em uma outra paróquia.

A vida passou, Samanta estudou, se formou, ficou com uns 4 meninos na sua vida, e se casou.

Quando finalmente ela tinha se visto fora da tutelagem de sua mãe e de sua tia, ela morreu. Teve um aneurisma e morreu.

Fiquei chocadíssima com a notícia. Como uma menina que nunca viveu podia morrer assim? Eu tive vontade de dizer a tia dela um monte de coisas, mas nada precisava ser dito, ela sabia, eu estava ali na frente dela, viva, feliz, e ela ali, triste, com os olhos cheios de lágrimas, dizendo que não se conformava. Ambas sabíamos, que o tempo não podia voltar, e que nada mais podia ser feito.

Vai ver é Deus escrevendo certo por linhas tortas. Esses são os entre-cantos calamitosos da vida…

A vida é assim, é feita pra usar, senão você vai pro caixão com um belo plastiquinho na testa pra que sua franja não fique desarrumada.

Somos bonecos de carne e osso, e não podemos viver numa caixa!

Deixem que seus filhos vivam, antes que eles morram! Deixem que vivam, orientem, dê direção, limites, mas não os privem da liberdade que Deus nos deu… livre arbítrio lembram?

Eu sinto muito, Samanta, por não ter mentido mais vezes pra sua mãe, por não ter raptado você mais vezes pra brincar com a gente, todas as broncas valeram a pena, as mães da vizinhança podiam me achar uma criança maluca, doida, e estranha, mas eu só queria que você tivesse vivido mais, queria ter te empurrado mais e mais alto no balanço, mais e mais rápido no gira-gira… me desculpe…

=´(

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Fiquei lisonjeada por ter meu trabalho retratado pela fotógrafa Ligia Goi. Caríssima amiga, a quem admiro demais pelo incentivo que tem dado a cultura, difundindo entre as crianças da rede pública arte de qualidade, incentivando-os a produzir, encorajando-os, tornando-os capazes de se embrenhar pelo mundo das artes com naturalidade, sem formalismo. Uma pessoa que merece todo meu respeito e admiração.

Pelas lentes de Ligia Goi, cada pedadinho das minhas obras se tornou uma obra única, não posso dizer que são meus quadros esses abaixo, são obra dos olhos dessa magnífica fotógrada que vem se mostrando cada vez mais talentosa e original. Parabéns e obrigada.

Shantallzices por Ligia Goi.

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Participando da Mostra de Arte ” Para não dizer que não falei das flores” Organizada pelo José Thomaz Nabuco de Araújo Filho, no Jahu Shopping, com a participação do organizador, de Vivian Magalhães e Valéria Martins, tive a felicidade de receber uma homenagem lindíssima de vários alunos do Instituto Caetano Lourenço de Camargo, que fizeram releituras de algumas das minhas obras e me entregaram uma pasta cheia de desenhos, e cartinhas lindas.

Alguns dos desenhos das crianças estão expostos no shopping. Ficarão por lá até domingo.

Ontem as crianças visitaram a exposição, e receberam zines para se sentirem incentivados a produzir e divulgar a própria arte!

Realmente emocionante!!!

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O problema é a chave de força!

setembro 20th, 2011

Ela cai, de repente!

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Antes me lembrava de não esquecer.

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Entre solstícios e equinócios.

setembro 13th, 2011

Frequentemente me perguntam porque não assino meus quadros. E porque deveria? Acho que o traço do artista é sua maior assinatura. Acaso se visse esse desenho acima em qualquer lugar, não saberia que é meu?

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Cartas

setembro 10th, 2011
De Shantall para Cruela…

Quando você era pequena, eu tive que aprender a cuidar do curativo do seu rabicó, a cuidar dos curativos da sua orelha, que maldade, porque deixei que cortassem seu rabo e sua orelha? Me desculpe por essa atrocidade. Depois tive que aprender a rezar, pra você crescer logo e parar de morder tudo que via pela frente, aprendi a tirar tudo do seu caminho, pra que você se acostumasse a morder apenas seus brinquedos. Tive que aprender a te entender, sem que você falasse a minha língua, tive eu que aprender a sua. Tive que aprender a andar mais rápido, pra te acompanhar e não ser arrastada. Tive que aprender que chorinho era manha, que chorinho era fome, que chorinho era dor, que chorinho era colo, que chorinho era frescurinha de boxer deitado de pernas pra cima rolando no tapete e enchendo ele de pelo. Mais tarde tive que aprender a fazer parto, a cuidar dos seus filhotes pra não serem pisoteados, e lá estava eu, com 17 filhotes lindos de novo, tendo que aprender a ter aquela baita paciência… Agora, eu to aprendendo a andar devagar pra acompanhar seus passos, e a rezar de novo pra que você continue em pé, to tendo que aprender a ter um outro tipo de paciência, aprendendo a te esperar comer pra você não engasgar, assim como quando te dava mamadeira e tinha que ficar atenta e te esperar arrotar senão você vomitava tudo de novo, agora to aprendendo a te pegar no colo de novo, e aprendendo seus chorinhos novos, quando você me pede pra te levantar, ou quando me pede pra te ajudar a  descer ou subir os degraus. Eu sei que eu aprendi muito com você, e sei que mal consegui te ensinar a dar a pata, e nem te ensinei a atravessar uma rua sozinha sem mim. Hoje eu me pergunto, quem é dono de quem? Quem adotou quem? Quem cuida de quem? Eu aprendi mais com você do que com qualquer humaninho idiota. Obrigada. Só não me ensine a ficar sem você, porque eu bem que não to afim de aprender!
De Cruela para Shantall.

Quando eu era pequena, tive que aprender a lidar com os humanos. Primeiro cortaram meu rabo, depois as minhas orelhas, e aquilo doeu tanto. Tiive que aprender a perdoar aquelas pessoas que me mutilaram por acharem que sem algumas partes de mim, eu ficaria mais bonita.
Depois tive que aprender a ficar sem a minha mãe, e tive que aprender que por mais divertido que fosse, eu não podia morder tudo a minha volta. Tive que aprender a morder apenas os meus brinquedos.
Tive que aprender a falar de um jeito que minha humana me entendesse, pois ela não conseguia escutar o que eu falava com o coração. Então desenvolvi uma maneira dela entender, inventei um chorinho pra cada coisa, e ai ficou mais fácil pra ela, os humanos não são muito espertos.
Tive que aprender a correr, porque assim eu fazia minha humana andar mais rápido, embora eu ficasse cansada e com a língua de fora, eu fazia de tudo pra arrastar ela comigo, e quando eu cruzava outro cachorro pelo passeio, eu dizia “Olha, essa é minha humana! Ela é boazinha, pode chegar perto, ela não morde!”.
Tive que ensinar ela a cuidar dos meus filhotes, mas ela era muito desajeitada, e nunca aprendeu a lambê-los como eu.
Tive que aprender a lidar com minha humana, a ter paciência com ela, a esperar que ela fizesse o que eu gostaria quando ela pudesse, e não quando eu queria, tive que aprender a não babar nela, a não manifestar o meu amor quando ela estava pra sair, pra não encher a roupa dela de pelos, embora eu bem quisesse deixá-la cheia de pelos, pra todo mundo na rua saber que ela era a minha humana!
Aprendi a gostar dela despenteada, desarrumada, desanimada, mal humorada, brava, pra mim ela sempre foi o máximo, e quando eu percebia que ela não estava bem, ai sim, que eu fazia de tudo pra demonstrar que o quando eu gostava dela. Aprendi a ter muita paciência e muita boa vontade, afinal os humanos não são como nós cachorros, eles são seres bem estranhos que oscilam demais, nunca sabemos o que esperar deles.
Agora que estou velhinha, estou aprendendo a deixar você cuidar de mim, como cuidei de você todos esses anos, estou aprendendo a te pedir ajuda pra levantar, e aprendendo a ter força pra levantar, pra ficar mais um pouco do seu lado. Aprendendo a esconder quando estou com dor, pra não te ver chorando. Aprendendo a não ter medo de ir ao hospital veterinário, aprendendo a não ter mais medo de injeções, nem de raio-x, eu até já aprendi a engolir os remédios sem reclamar.
Estou aprendendo a andar mais devagar, pra poder andar com você por mais tempo.
Estou inventando chorinhos novos, porque sei que ainda não entende a língua que meu coração fala, mas eu vou morrer tentando te ensinar.
E quando eu for embora, eu sei que você vai sentir falta de tudo aquilo que em mim te incomoda, e sei que vai sentir falta de berrar ” Cruela, sai do meio do caminho”, “Cruela vai pra caminha!”, ” Cruela solta isso!”… sei que vai sentir falta da minha baba na sua mão, dos meus pelos na sua roupa, e quando você encontrar um pelo meu, perdido em alguma roupa, eu sei que vai sentir falta de mim, que vai me procurar pela casa e eu não vou estar, e quando chorar de saudades, vai sentir ainda mais por eu não estar por perto pra colocar minha cabeça no seu joelho e te olhar com vontade de lamber seus olhos.
Então, nesse pouco tempo que temos, vamos tentar nos divertir um pouco mais. Porque sua vida é curta, e a minha é mais ainda. E cada instante da minha eu dediquei apenas a uma coisa, te fazer feliz.
Eu é que sou sua dona, eu é que cuidei de você quando você dormia, e vigiei a casa, eu é que te adotei desde a primeira vez em que te vi, olhei pra você e pensei, você é minha, e você gostou do meu olhar e me levou com você. Não é a coleira que faz o dono, é o amor.
Então vamos passear, enquanto eu ainda posso?
—-
E assim nas calhas de roda….
( txt sem correções e sem edição, pois se eu lesse novamente iria chorar mais do que ao escrevê-lo )
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Pode amar.

setembro 9th, 2011

Poder amar difere de amar o poder.
O amor é coisa que liberta, que adentra
Abre portas, e janelas.
O poder controla, macera
querendo na surdina,
destruir tudo de que se apodera.

“E neste ignorar-me a ver-te”, SINTO!

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Foi um sucesso!

setembro 4th, 2011

Agradeço a todos os amigos que estão ajudando nas nossas movimentações culturais! Agradeço ao Guilherme Gambarini e ao Belluca por abrirem as portas do Villa Jahu, a banda Gato Carteiro, sempre presente! A Waldete Cestari, Bruna Romero, Lígia Goi, Roberto Rodríguez, Vivian Magalhães, Maria Brandão, Cida Castro, Alexandre Palácio . Foi demais.

Lançamos o grupo ATROXXX!

É só o começo!!!

\o/

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oculto

agosto 22nd, 2011

o oculto
acaso, incauto, enquanto o canto oculta o grito
quem não sabe, não sonha
que o interlúdio inédito
inebria o tédio e sem culpa nenhuma luta
reluta,
não por acaso
não, era pra ter sido assim.

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kd o foco que estava logo aki?

agosto 10th, 2011

Eu e a perda de foco.

No começo destas férias estava com tudo muito bem decidido. Ia comprar tecido, madeira, grampos, fazer as telas preparar elas, depois ia pintar, e de repente tudo virou de pernas pro ar, inclusive eu. Me deixei levar por várias situações e tudo saiu do controle.

Fiquei improdutiva, fora de ordem…  não gosto disso, eu gosto de sossego…

Preciso recuperar o meu foco e logo. Pois tenho muita coisa pra fazer e estou deixando tudo pra depois.

Não posso reclamar do meu namorado, ele é muito legal, quando estou eu e ele, quando tem outras pessoas ele fica um idiota, parece que ele faz tudo pra complicar, que faz tudo pra não participar, que faz tudo que me irrita pra chamar atenção, domingo ele levou isso ao extremo.

Ontem e hoje eu não passei muito bem, muita dor de cabeça, muita dor no corpo, até febre eu tive. Passou, e estou melhor. Embora desanimadíssima por conta daquela chatice de cólica periódica.

Preciso gravar um texto, eu sei, mas não estou conseguindo. Por conta da gravação que sai cheia de ruídos.

Meu nível de irritabilidade hoje excedeu os limites. Comprei passagem aérea  pra CWB, paguei 70! Que maravilha! Nunca paguei tão barato assim. Da pra ir de bus pra SP por 50  e vai sair o mesmo preço da de busão, com a vantagem de demorar a metade do tempo.

Tenho que resolver tudo até dia 17, to achando que não vou dar conta!

Creio que terei que deixar umas coisas pra lá. Preciso pensar em mim né, não posso me dar ao luxo de esperar que outras pessoas pensem… tenho que recuperar o meu foco, pois não posso ficar ajudando os outros a recuperarem o foco e perder o meu…

Qual era o plano mesmo? Ah, vender tudo e ir embora logo. Pensar só nas dermos e nas telas.É isso que vou fazer. Agora falta bem pouco.

Música do dia: Ramones – I don´t wanna walk around with you

Apesar que estou escutando nesse momento: INXS- Never tear us apart

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eu deveria rir disso?


e agora?

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Acho que foi sábado retrasado, meu namorado saiu do trabalho e foi pra casa dele pegar o carro pra voltar ao abrigo da Apaja, coincidentemente o abrigo fica muito próximo ao trabalho dele, e ambos ficam bem próximos a Rodovia João Ribeiro de Barros, uma pista duplicada com uma passarela pra que possa ser transposta, porém muitas pessoas ignoram o perigo e a atravessam. Neste dia, ele chegou dizendo que ao voltar ali, para ir ao abrigo, ele viu que alguém havia sido atropelado, que havia resgate na pista, mas que o corpo estava coberto. E cogitou que talvez fosse alguém do seu trabalho, pois ele disse que as pessoas sempre ignoram a passarela.

Hoje ele me disse que o atropelado havia sido um mendigo, e que antes dele atravessar, ele viu esse mendigo, amputado das duas pernas saindo de um terreno baldio, e que ele chegou a pensar ” o cara não vai querer atravessar a pista sem as pernas…”  … e ainda pensou ” o que eu posso fazer, largar minha bicicleta e pegar o cara no colo, e levar até a passarela?”  …  não sei dizer, eu poderia dizer que se vivêssemos em um outro mundo é isso o que deveria ter sido feito…  mas se queremos tornar esse aquele outro mundo não seria esse o certo a ter sido feito? Penso que sim.

Mas sou obrigada a cuidar dos meus e dizer, ” não, o certo a ser feito, foi fazer o que você fez, ir pra sua casa, pegar seu carro e ir cuidar dos bichos do abrigo, porque os bichos não usam crack, porque os bichos não vão te atacar com uma facada, porque os bichos não são como as pessoas que você nunca sabe o que pode esperar delas” . É triste, mas é assim. Você tem que se cuidar, vigiar pra não entrar em encrenca, pra poder ajudar sem se prejudicar ou correr riscos.

Dizem que os rinocerontes são violentos, mas sabemos exatamente o que podemos esperar dos rinocerontes, dizem que as cobras são peçonhentas e fatais, e se cruzar uma por ai, sei exatamente o que esperar dela, assim como sei o que posso esperar de escorpiões, aranhas-marrom, dragões-de-komodo, mas não sei o que posso esperar de um ser humano.

Ficou uma dúvida pairando no ar “Porque um mendigo, sem pernas, atravessa a estrada?” … ” Para chegar ao outro lado!” ( pra chegar ao outro lado da vida, nesse caso, neh )

Enfim, o mendigo morreu. Se ele se suicidou ou não, se foi um acidente ou não, isso não importa, o que importa é constatar que infelizmente vivemos um momento muito triste, onde é mais seguro lidar com grandes bestas irracionais e selvagens do que com homens.

Eu conheço meu namorado há uma vida inteira, e eu o amo, não apenas por tudo que passamos juntos, não apenas porque em todas as ocasiões ele sempre esteve do meu lado, não apenas por ele me deixar irada e com vontade de arrancar a cabeça dele com os dentes de vez em quando kkk  mas porque ele é foda e tem um coração imenso!

Enfim, mal ele saiu de casa e já estou com saudades. s2

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