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‘ilustração’

Ousa

abril 29th, 2010

falar
sem
calar

o
outro

amar
sem
prender

um
pouco

berrar
sem ficar
rouco

casar
sem morrer
oco

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Fuga dissociativa

abril 29th, 2010

_ Existem?
_ Em algum lugar, ou em algum tempo… talvez. Creio que sim.
_ Você os inventou?
_ Não, só os reuni, e os misturei.
_ Como assim? São partes suas?
_ Não, são partes de outros. Dos outros que amei.
_ Gosta deles?
_ Gostei, mas se foram. Morreram, se afastaram ou desapareceram.
_ Sente falta deles?
_ Não.
_ Por que os reviver então?
_ Não são mais eles, são outros outros agora, os recortei, desenhei sobre eles, colei seus pedaços todos misturados, são outras pessoas agora.
_ Como Frankesntein?
_ Eu ou eles?
_ Não sei, me diga você.
_ Sim, eu sou como Victor.
_ Como o criador?
_ Sim.
_ Se sente bem assim?
_ Sinto, quando os faço sentir.
_ Mas eles não sentem verdadeiramente.
_ E eu neles, também não.
_ Eu não entendi, nada.
_ Não faz nenhum sentido, não tem ordem, não tem seqüência. Não existem sinapses, se você não as criar.
_ Então você nos transforma em Victor, isso é manipulação.
_ Sim.
_ E como se sente com isso.
_ Sinto, quanto lhe faço sentir
“A terapeuta sorri verdadeiramente. A paciente, também.”

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Falo de mim

abril 29th, 2010

A língua que falo,
a língua que beijo,
o queijo que gosto,
o rosto que vejo,
não dizem nada sobre mim.

A língua e o falo,
a língua e o beijo,
o queijo e o gosto,
o rosto que vejo,
dizem espelho sobre mim.

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Engaiolada.

abril 29th, 2010

enquanto
encanto
canto
engaiolada
sangro

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o tempo já não suporta
já não dá suporte,
já não conforta
nem nada dessas coisas que dizem que é o que importa
apenas,
passa.

quero voltar.

precisaríamos ser
tanto quanto o tempo o é
mas não somos,
somos cromossomos monocromáticos
imprecisos e desprovidos de uma segunda visão
apenas, passamos

quero voltar.

ardemos indefinidamente
num breve instante
insuportavelmente impreciso, desconexo e intransigente…
e de que vale ser gente,
se nosso brilho tivesse a velocidade da luz ao menos
e o tempo?
apenas, passou

quero tudo de volta.

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Rinocerontes.

abril 29th, 2010

doce ternura diáfana

encarnada em ferocidade visceral
abrupta
suprimida de culpa
exalando a inocência proclamada
na busca pela flor azul

E ainda assim, acontece.

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Allegro com fermezza

abril 29th, 2010


Masturbação mental inefável e compulsiva:
Quando, tentar esquecer é igual a se lembrar.

Indissoubilis.

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Inenarrável

abril 29th, 2010
você existe inerradicável
em mim num âmbito em que só a razão persiste
infecciosa, e irrefutável

você existe inescrutável
em mim num ângulo em que só a visão resiste
inafável e inimpugnável

você existe inescusável
em mim
de maneira inevitável
inegável
indiscutível
inelidível
ineludível
inestancável

você reside inestilhaçável
em mim
num sentimento, instante espaço sem tempo
impermeável
inestimável
inexaminável
inexigível
indeterminável

você existe em mim
odiosamente inexorável

eu existo em você
odiosamente inexpiável

existimos
de modo inexplanável
inexplicável
inexprimível
inexpressável
inexterminável
inextirpável
inestinguivel

infactível? não sei…
mas certamente inextricável

in extremis … inesquecível

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Negatividade irônica

abril 29th, 2010

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Singularidade recorrente

abril 29th, 2010

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Nanotecnofagia

abril 29th, 2010

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Protegido: Cáustica

abril 28th, 2010

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Tellus stabilita

abril 28th, 2010

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A-R-A-N – INCORRECT

abril 28th, 2010

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Poesia extendida.

abril 28th, 2010

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A morte.

abril 28th, 2010

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Efemérides

abril 28th, 2010

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Prozac

abril 28th, 2010

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Egocentrix

abril 28th, 2010

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Ab imo corde

abril 28th, 2010

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Experimento

abril 28th, 2010

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Libido

abril 28th, 2010

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Fracasso

abril 28th, 2010

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Amigos, então?

abril 28th, 2010

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Estertor – a língua morta

abril 28th, 2010

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Sketchs

abril 28th, 2010

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Surtos purulentos

abril 28th, 2010

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Pritt Pride

abril 28th, 2010

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