w w w . s h a n t a l l . c o m

‘texto’

Sem perceber

novembro 26th, 2012
De tanto olhar
e ver,
medir, sem mais compreender,
parou de enxergar.
Começou a perder.
Porque ao tocar
Com a ponta dos dedos
Sem mais estar perto para pegar,
Afastou.
Sem perceber… sem perceber

E quando ele entrou na sala, ninguém percebeu o quanto ele estava perturbado.
Pudera… ele havia aprendido a dissimular tão bem a própria satisfação e a aparente normalidade que ninguém haveria de perceber, jamais, toda sua inquietação.

“Tudo bem.” pensava ele.

Estaria bem se tudo não estivesse exatamente como deveria estar.

Ele havia chegado lá. Ele tinha seu emprego. Ele tinha status. Ele tinha uma bela esposa, inteligente, espirituosa e embora não fosse o que ele havia sonhado,  ela era perfeita.

Se ao menos ele não se lembrasse mais o que havia sonhado. Mas os sonhos estavam ali, como lava, densos, borbulhantes, incandescentes. Diferentes agora.

“Ela nem precisava ser perfeita, ela só precisava ter aquela coisa provocante. Aquela coisa que, certamente, me faria acordar, a cada dia, em um dia diferente.”

Ele gostava do trabalho dele, gostava das coisas que ele proporcionava às pessoas, ele gostava de fazer a diferença a cada instante. E ninguém haveria de perceber que algo o incomodava.

Quando se usa uma roupa de baixo nova, muitas vezes o elástico aperta onde deveria ser bem confortável, mas o tempo passa e o elástico perde a elasticidade e o conforto vem.  O tempo haveria de lacear seus desejos, e toda aquela monotonia se tornaria confortável, pensava ele… e ao pensar, ele se desesperava.

Todavia, mais um dia.

Talvez ele devesse comprar uma Norton com sidecar, e convidar ela pra viajar. Ela aceitaria, ele sabia disso, ela iria encher o saco, mas aceitaria, ela não ia querer dormir em uma barraca em um camping qualquer pelo caminho, mas ela aceitaria..

Naquela manhã uma frase…

“No! No different. Only different in your mind. You must unlearn what you have learned.”  era uma frase do Yoda escrita na camiseta de uma menina que usava meias azuis e sandálias de plástico. Ela lhe sorriu um sorriso largo, e ele lhe sorriu um meio sorriso, tímido e empoeirado, há muito guardado entre as páginas de um livro qualquer guardado em uma gaveta qualquer, cuja cena, ali descrita, tão parecida com aquela acontecida, lhe fizera rir aquele mesmo velho sorriso.

Naquele dia, novamente, ele adentrou seu local de trabalho, e ninguém percebeu aquele meio sorriso no canto da boca. Nada havia mudado, nem os móveis haviam mudado de lugar.  Todavia mais um dia. Havia escutado as mesmas músicas, transado do mesmo jeito, acordado do mesmo lado da cama, assistido pela milésima vez o mesmo filme até pegar no sono, e tudo estava tão bem quanto deveria estar se assim não estivesse.

Os sonhos estavam todos ali, e enquanto ele trabalhava, e enfrentava as mesmas surpresas de sempre, as mesmas dificuldades de sempre, e ganhava os mesmos louros das mesmas mesmas vitórias de sempre. Uma coisa, apenas uma coisa havia mudado……….  o meio sorriso.

Aquele meio sorriso no canto da boca, fizera com que sua esposa notasse algo diferente nele.

“O que será que aconteceu?” pensou ela… acordando todo dia do mesmo lado da cama, sem se importar com isso.

Nada a incomodava, tudo estava muito bem, tudo estava tão bem quanto deveria estar. Todos os móveis nos mesmos lugares, todos os sentimentos alojados perfeitamente entre uma tarefa e outra. Sentimentos comedidos de uma pessoa comedida, com medidas exatas, perfeitas, tudo em seu lugar.

A única coisa que a incomodava era aquele meio sorriso… Será que ele tinha um outro alguém? Será que ele havia transado com ela pensando em outra? Será que ele estaria sendo assediado pela chefe? Será que ele estaria planejando deixá-la? O que seria aquele meio sorriso? Qual a causa? O que havia ali agora que não estava ali antes?

Quando ele voltou pra casa, aquele meio sorriso ainda estava lá.

Ele contou sobre o dia de trabalho e ela contou algumas novidades enquanto colocava os utensílios na mesa, ele fez as mesmas coisas de sempre e ela fez as mesmas coisas de sempre… Ela fingiu que aquele meio sorriso não a incomodava com medo de saber a causa daquilo que ela consideraria como um incidente e ele fingiu não se refugiar em sua mente sonhadora pra não ser afetado por aquela rotina descolorida e saturada de sinapses que se repetiam como déjà vu.

Então ambos foram para a cama, e escutaram as mesmas músicas, transaram da mesma maneira, falaram as mesmas coisas e assistiram um dos mesmos filmes de sempre.

No dia seguinte… quando ele entrou na sala, ninguém percebeu o quanto ele estava perturbado. Mas todos começaram a perceber que aquele meio sorriso no canto da boca estava lá. E isso começou a perturbar cada um ao seu redor.

“No. There is another…” disse Yoda.

Que dia Chàteau

setembro 3rd, 2012

novelinha

Que dia Château!!!!

- Ow, esse bolo de chocolate não vai ficar pronto nunca?
- Afe, já vai, estou apenas escolhendo um vinho aqui pra umedecer a massa, assim o bolo fica mais gostosinho.

Dentre todos os vinhos ela resolve que aquele de rótulo amarelado, e garrafa empoeirada seria perfeito se não tivesse virado vinagre.
Ela abre a garrafa, cheira, experimenta e então decreta.

- Esse mesmo!
- Shan, falta muito?
- Que nada, já recheei, já cobri, agora só falta o granulado, as raspas de chocolate, as cerejas, o açúcar de confeiteiro.

Ele chega na cozinha, e ao ver a garrafa de Chateau Petrvs sobre a mesa tem uma síncope.
- Cadê o vinho?
- No bolo, ué.
- Onde no bolo? Você está maluca?
- Não, não, é sério está no bolo! Quando comer vai ver que o vinho está mesmo no bolo.
- Tá, não é disso que estou falando, é que… você usou um, um, um…
- Um vinho pra regar o bolo ué… normal, todo mundo faz isso com bolos de chocolate.
- Mas não com um vinho de R$3000
- O__º     E porque raios você tem um vinho de R$3000?
- Pra um dia especial, ué.
- Calmai, você é meu namorado há mais um milhão de anos, e tem a coragem de dizer que tem um vinho esperando por um dia especial? Eu devia cantar a musiquinha do “minhoco” pra você e fazer você ingerir o bolo pelo orifício contrário!
- Não é isso, é que… é que…
- É que uma pinoia! Te conheço há 18 anos, isso dá mais ou menos 6570 dias e você não achou nenhum deles especial?
- Não é isso, NÃO É ISSO!
- Tá, então o que?
- É que funciona assim, quando você tem um dia especial esperando você é como se você não fosse morrer antes do dia especial chegar, ai você deixa um lance guardado pra abrir só no dia especial, mas não abre.
- Que desculpa mais porca é essa?
- Você estragou tudo, agora se eu morrer a culpa é sua.
- Se você morrer a culpa é do Chateau Petrvs que de tão velho já deve estar azedo ¬¬ e come a merda do bolo, que esse bolo custa mais ou menos R$3150, incluindo a mão de obra e os ingredientes.
- Ai que dó, do vinho.
- E come quieto, que eu ainda não engoli essa história de dia especial ¬¬
- Da próxima vez que for usar um vinho pra fazer um bolo, você me avisa antes?
- Eu só farei um outro bolo em um dia muito especial, fica tranquilo ¬¬

O urso de pelúcia

junho 10th, 2011

O primeiro entardecer tristonho que  tive, se deu por causa de um urso, de pelúcia laranja vagabunda com uma gravata xadrez horrível, recheado mal e porcamente com bolinhas de isopor que faziam um barulho irritante.
Eu, estava em frente de casa, com um vestido amarelo pavoroso.  que ia até o meio das canelas,  um par de sandálias Ortopé, um relógio de plástico ordinário, e o urso… Ah, o maldito urso de pelúcia laranja vagabunda com uma gravata xadrez horrível.
Uma menina que estava passando se sentou ao meu lado, no degrau da área de casa onde eu me encontrava sentada, provavelmente entediada. O tédio é um fator constante e precoce em minha digníssima existêncis..
A menina que tinha cara de porquinho da índia, por causa dos incisivos finos e compridos, elogiou meu urso… aquele urso de pelúcia laranja vagabunda com uma gravata xadrez horrível, e me pediu pra pegá-lo. Eu, boazinha como já fui um dia, e mongolóide como não consigo deixar de ser… deixei!
Conversamos durante algum tempo, talvez nem tenha passado de 5 minutos, mas lembrando hoje, parece ter sido muito, muito tempo. Até que ela apontou pra onde morava, na quadra ao lado, e me pediu pra levar o urso pra casa dela, e eu? Deixei… claro!
Ela disse que no dia seguinte, às 6 horas da tarde, me traria o urso de volta. Eu disse pra ela que não sabia ver horas no meu relóginho de plástico ordinário, e ela me mostrou onde os ponteirinhos estariam quando fosse 6 horas.
Aos 5 anos de idade, 5 meses, 3 dias e 18 horas e um minuto, eu fui passada pra traz pela primeira vez na vida.
Quando os ponteiros chegaram ao devido lugar, a menina não apareceu. Nem ela, nem meu urso de pelúcia laranja vagabunda com uma gravata xadrez horrível.
Naquele instante eu percebi, que apesar da pelúcia ser vagabunda, dele ser laranja, e fazer um barulho de bolinhas de isopor irritante, sim, eu gostava dele… pelo simples fato dele ser MEU.
E pela primeira vez na vida, eu atravessei uma rua.
Andei meia quadra, cheguei a esquina, e atravessei outra rua. Fui até a casa da menina que tinha cara de porquinho da índia, sem nem me lembrar o nome dela… para buscar o meu lindo urso de pelúcia laranja.
A mãe dela me deu o urso, e a menina me acompanhou até em casa, e nos tornamos amigas…
Anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento… eu achei meu urso, todo carcomido, sujo, imundo… com feses de ratos, e teias de aranhas, jogado no sótão da casa da minha avó.
Tão sujo e carcomido, quanto todas as minhas lembranças de infância.
Acho que minha infância, apesar de rica em acontecimentos, era como o meu urso… laranja, vagabunda, ordinária, recheada de bolinhas de isopor que faziam um barulho irritante.


 

Foi mais ou menos assim.

janeiro 14th, 2011

Naquele dia, justo naquele dia, ela acordou do avesso.
Embora tivesse feito escova progressiva, seu cabelo parecia ter sido penteado com algum instrumento precário do período paleolítico.
Decidiu que ia prender o cabelo, colocar a primeira calça que estivesse pendurada, a primeira camiseta que estivesse na gaveta da direita pra esquerda, o primeiro calçado da primeira caixa de cima para baixo na sapateira, e o moletom que estava jogado na poltrona do seu quarto.

Assim, saiu de casa. De óculos. Se sentindo absurdamente normal. Nenhum signo que denotasse sua anormalidade.

Dentro do bi-articulado, nem se lembrava mais pra onde deveria ir, mas ia, devia ser automático, desceu dois pontos antes, para poder caminhar, como o médico havia recomendado. Para que deixasse o sedentarismo e melhorasse sua condição cardiorespiratória. Mas o que a fazia mesmo descer aqueles dois pontos antes. Era o menino da loja de discos.

Isto mesmo, o menino da loja de discos. Quantos meninos ainda tem uma loja de discos?

Aquele tinha.

E embora ela, até então, nunca tivesse encontrado, ou inventado coragem pra falar com ele, ela sabia exatamente o que ele iria dizer.

- Procurando algo específico?
( ela nem notou que estava parada em frente a loja, olhando pros vinis, só pra poder vê-lo de mais perto, naquele dia, justo naquele dia, ele estava escutando Ramones )
- You´ll never know how much I really love you…
- O que?
( “Cala a boca, idiota” – pensou ela sobre si mesma, ao perceber o que havia dito )
- Sabe, aquela música dos Beatles, que diz ” You´ll never know how much I really love you. You´ll never know how much I really care”
- Do you want to know a secret? Do you promisse not to tell?
( aquilo seria um diálogo?)
- Essa!
- Está nesse LP! – diz ele tirando o Yellow Submarine das mãos dela e lhe dando o Please please me.
- Ah, aqui, faixa 11.
- Isso. Mais alguma coisa?
- P.S. I love you.
- Nesse mesmo álbum. Faixa 9. – diz ele apontando para a faixa.

Ele tinha as unhas perfeitas. E não tinha pelos nos dedos, isso era demais. Ela imaginava que ele também não tivesse pelo sobre os dedos dos pés. De alguma maneira, e sem explicação aparente, ela cultivava uma certa aversão por pelos sobre os dedos dos pés. Pra ela, ficavam bem apenas em um hobbit.

No caixa, pagando, ela notou que, se comprasse, não teria outra desculpa pra aparecer ali.

- Puxa, me desculpe, acho que meu dinheiro não dá pra levar ele.
- É original, raridade. Tenho outros, mas não dessa tiragem.
- Eu posso voltar no final da tarde pra buscar?
- Claro, qual seu nome?
( ai, nome, com seu nome nada comum, com uma simples procura no google, ele descobriria que ela é maluca)
- Amábile! – respondeu de sobressalto.
- Prazer, Fernando.
( ” Não, Fernando não pode, Fernando só pode haver um, é tipo highlander” – pensou ela, pensando em Fernando )
- Fernando, eu volto.
- Certo, boa tarde.

( Ao ver ela sair da loja, ele se sentiu o cara mais idiota do planeta, onde ele estava com a cabeça de dizer que o nome dele era Fernando, se ela voltasse e procurasse por algum Fernando e ele não estivesse iriam achar que ele era maluco. )
Naquele dia, justo naquele dia, ele acordou determinado a deixar de ser um mero espectador.
Colocou uma camiseta dos Ramones, sua calça jeans preferida, uma que já fazia o caminho do trabalho pra casa e de casa para o trabalho sozinha, os mesmos all star vermellhos de sempre, aqueles que ele não usava desde seus 18 anos, e foi trabalhar.

Ele sabia que ela passaria ali na mesma hora que passava todos os dias, vestindo suas camisetas do Ramones que só mudavam de cor. Decidiu que dessa vez chamaria a atenção dela. Passou a manhã toda com os vinis na mão, lendo os títulos das músicas.

- “Can’t Get You Outta My Mind” será que ela entederia ?
- Não, acho que talvez fosse melhor… “I can’t seem to make you mine” …
- Que loser! Não, melhor “My My Kind Of A Girl”!
- Pare, piá! “She´s a sensation” !
- Claro, ” She´s a sensation”!!!

Depois de um breve diálogo consigo mesmo, ele pega o Pleasant Dreams e coloca na vitrola, mas ao invés de colocar a faixa 7, ele coloca a 9 …

Ao levantar seu olhar, lá está ela, na porta da loja, parada, e dentro da loja tocando “You Didn’t Mean Anything To Me” …

Uma ligeira dor na boca do seu estômago, seguido por um nó na garganta, sensação de vertigem, falta de ar, fez com que ele não conseguisse pensar em nada. Só notou que ela nem estava com uma camiseta dos Ramones naquele dia.

- Vai lá, idiota, fala com ela.
- Não era pra ser assim, era pra ela parar, e entender a música, perguntar se eu gosto de Ramones. Estava tudo planejado na minha cabeça.
- Vai, piá, pare de discutir com você mesmo, vai, e fala com ela, é seu trabalho.
- É, é só o meu trabalho.

O menino da loja de vinis, andou aqueles poucos metros do fundo até a entrada da loja, com as pernas bambas, coração acelerado, e ensaiando o que iria dizer pra que não parecesse tão idiota quanto estava se sentindo.

- Procurando algo específico? ( “Merda não acredito que disse isso, eu devia ter dito algo menos default” voltou ele a falar consigo mesmo em meio a síncope pela qual seu corpo passava )

- You´ll never know how much I really love you…
- O que?
( “Cala a boca, idiota” – pensou ele sobre si mesmo, ao perceber o que havia dito )
- Sabe, aquela música dos Beatles, que diz ” You´ll never know how much I really love you. You´ll never know how much I really care”
- Do you want to know a secret? Do you promisse not to tell?
( aquilo seria um diálogo?)
- Essa!
- Está nesse LP! – diz ele tirando o Yellow Submarine das mãos dela e lhe dando o Please please me.
- Ah, aqui, faixa 11.
- Isso. Mais alguma coisa?
- P.S. I love you.
- Nesse mesmo álbum. Faixa 9. – diz ele apontando para a faixa. ( “Que perfume é esse?” pensou ele ao sentir o cheiro mais doce e azulado que já sentira na vida.)

Ele a encaminhou ao fundo da loja, onde ficava o caixa, tendo a certeza que perdera a única chance de chamar a atenção da menina das camisetas dos Ramones. E ela, justo ela, justo naquele dia em que ele resolveu colocar uma camiseta dos Ramones e ouvir Ramones pra ela, queria um vinil dos Beatles.

Tentou pensar em uma maneira de fazê-la voltar.

- Qual o preço?
- R$ 270,00 ( talvez ela pedisse um desconto e um diálogo fosse mantido)
- Puxa, me desculpe, acho que meu dinheiro não dá pra levar ele.
- É original, raridade. Tenho outros, mas não dessa tiragem.
- Eu posso voltar no final da tarde pra buscar?
- Claro, qual seu nome?
- Amábile!
- Prazer, Fernando.
- Fernando, eu volto.
- Certo, boa tarde.

Naquele dia, justo naquele dia, as coisas não aconteceram como eles gostariam que tivesse acontecido, mas, se tivesse sido, nada disto teria sido escrito, e vocês não iriam querer saber o que aconteceu no final da tarde. Às vezes, o amor perfeito, arde. Às vezes, se torna tarde demais. E querem saber? Ainda assim, existe beleza nisto.

Friso Shantall

junho 4th, 2010

Uma das coisas que mais marcaram minha infância foi a descoberta da arte… e eu descobri a arte, fugindo… eu precisava de abrigo… Eu pedi pra mudar de escola, por causa de uma menina, chamada Luciana, que me infernizava… ela sentia um prazer incrivel, em dizer que eu era de lugar nenhum… que eu não tinha mãe.. naquela época eu ainda era uma só, e essa não sabia se defender… tudo ali era novo demais, todas aquelas sensações eram muito novas pra mim… eu havia sido tirada a fórceps da infância, e lançada aos leões… Tudo pra mim era tão ardentemente colorido… mas tinha aquela figurinha nefasta, com dedos finos, e um jeito de andar de ave de rapina… ela nunca se aproximava diretamente.. ela chegava até onde estávamos sempre dando voltas ao redor… observando e então chegava e se pronunciava… Tinha de 5 para 6 anos de idade… e ela ja era HUMANA… Dois anos depois… eu pedi pra me mudar de escola… Achava que outra escola seria um outro mundo… E era… Porém, lá.. tinha uma menina… chamada Gisele… prima irmã de Luciana.. e o inferno teria recomeçado, se dessa vez, eu não tivesse me bipartido no primeiro instante “Carrie, a estranha” que me fizeram passar… Biparti… Eu então podia me defender de qualquer um… E me levar pra onde eu quisesse… Durantes os intervalos da 3ª série, eu corria pra biblioteca… onde pesquisava sobre coisas que meu amigo Antonio Ferreira dos Santos Jr. me contava… E numa dessas fugas… e momentos de desbravar terras distantes demais daquele pátio na hora do “recreio” … eu descobri Gustav Klimt… Quando eu vi a foto de Klimt, vestindo um tipo de túnica e segurando um gato… eu surtei… era como se o conhecesse há seculos… era uma figura tão tão rente… Naquele livro, nada se falava sobre o artista… apenas figuras e mais figuras, e análises idiotas sobre elas… filosofices… Mas o choque, o CHOQUE mesmo.. foi quando vi Friso Bethoven: “Alegria Pura”… Tinha aquele casal, eroticamente embrenhado um no outro, com os pés envolvidos em delicados fios e havia espinhos ali… e nada daquilo me parecia ALEGRIA PURA… NADA… Porém… a primeira figura feminina da fileira de baixo do coro.. era única que mostrava os dentes… aquilo sim era alegria pura… porque.. ela não estava ali… e aquela figura me encantava… Debaixo da imagem.. havia escrito, que quando Friso Bethoven fora apresentado pela primeira vez, foi acompanhado de um catálogo que dizia ” O desejo de felicidade encontra alívio na poesia. A arte nos leva ao reino ideal onde encontramos a alegria pura, a felicidade pura e o amor puro. Coro de anjos do Paraíso” E a única figura daquela imagem que estava num reino ideal… que mantinha sua mente muito além de tudo o que existia naquela realidade, era ela… E ela me encantava… e eu podia sentir o que ela sentia se fechasse os olhos e sorrisse daquela maneira… sim, eu podia… Quando vi Friso Bethoven: Os Poderes hostis… meu deus… que era aquilo… eram os poderes hostis a felicidade.. era o seu oposto… diametralmente oposto… lá estavam Tifão, e suas filhas… Doença, mania e morte… Desejo, Impureza e Excesso… E eu via aquilo.. como todas as mulheres que uma mulher pode ser, ou ter em si… e vocês acham a Desejo do Gaiman linda? a Desejo do Kimt é perfeita… uma ruiva com flores azuis no cabelo e cara de santa com olhar de vadia… Tive sonhos.. por meses.. com aqueles quadros… eu existia em meio a tinta… em meio àquelas formas… eram sonhos lisérgicos demais pra uma criança tão pequena… Eu amava todos aqueles ornamentos do Klimt… e aqueles peixes, e corujas, e … aquilo era capaz de me prender… era uma opulência erótica dourada e reluzente entre escuros tão profundos.. que… eram casa pra mim… Depois veio Munch… e meu primeiro contato com ele..  foi atravéz do quadro “A dança da vida” … e apesar de todo mundo se centrar nas figuras principais… na figura da vida representada pela Tulla, ou na idosa representando a morte, ou no casal se olhando de mãos dadas… ou no carinha dançando e se jogando de maneira indiscreta sobre a moça que dançava com ele… eu só conseguia ver… um bando de gente MORTA… com uma única pessoa realmente viva, uma, de vestido florido… que espiava tudo lá detrás… ela era a única que encarava quem estava pintando aquele quadro.. ela era o foco de Munch… ela estava longe demais pra que os olhos fossem retratados… na garota do casal dançando a sua frente nem se via os olhos…mas Munch viu seus olhos… porque eles existiam pra olhar Munch… esse A dança da vida, pertence ao Amor Nascente que é parte do Friso da vida… aquilo é como muitas vezes o amor nasce… entre olhares furtivos.. meu segundo contato com Munch… foi através de Nu junto a cadeira de vime . A atmosfera é criada pela cabeça da garota… voltada para baixo.. dando um ar de desistência tremendo… nossa aquilo me doeu tanto… suas cores e formas, e aquele quarto atras…ela pertencia aquele quarto de cores frias… seu corpo, aquelas cores, constrastavam completamente com tudo ao seu redor… com aquele lençol colorido sobre a cadeira de vime… Esses foram meus dois primeiros passos… daí, por diante… eu me perdi e me encontrei em muitas outras imagens… E até hoje, me perco em algumas… Mas há tempos não me perco em algo realmente novo… há tempos… Hoje não quero desenhar…

Di-alog-o

maio 31st, 2010

_ Oi – disse ele.
_ Não! – ela disse
_ Tudo bem?
_ A barca já chegou… Hou da barca! Houlá! Hou! Haveis logo de partir?
_ Qual seu nome?
_ Trinta e sete pessoas ainda cabem na barca.
_ Você poderia me dizer seu nome?
_ Eu tinha um cachorro, e ele tinha três patas.
_ Ele se acidentou?
_ Elas se chamavam Chandra, Alisha e Devandra.
_ Não entendi.
_ Eram três patinhas lindas que adoravam nadar.
_ Eram três patas, fêmeas?
_ Eram sulistas. Traziam bodoque à tira colo.
_ As patas eram sulistas?
_ As fêmeas. Que cheiravam a lombo de cavalo.
_ Do que está falando?
_ Estou falando de você, e dos seus amigos.
_ Mas eu estou só.
_ Eles também acham que estão. Não é porque vocês não conseguem se ver que estão sozinhos.
_ Você esta falando comigo? Olhe pra mim.
_ Estou falando de você.
_ Com quem?
_ Com Jó e seu escravos.
_ Onde eles estão?
_ Jogando caxangá.
_ Você joga também?
_ Jogo, sou capitã do meu time.
_ Não entendi.
_ Sabia que se você olhar bem de perto a palma da sua mão com a luz/não-luz do lusco-fusco, você pode ver cordões de nível na palma das suas mãos?
_ Me ensina?
_ O caminho não se ensina, se desenha, se cria, passo-a-passo, com intervalos e interlúdios, lúdicos não desvendados.
_ Eu quero saber seu nome.
_ Dados, estou dizendo, dados, apenas dados.
_ Sim, eu estou aqui pra colher seus dados.
_ Eu não planto mais dados, eu planto olhos de guaraná.
_ Como assim?
_ Come? Mastigue bem antes de engolir, as gigantes vermelhas e as anãs brancas se fagocitam numa dança mortal.
_ Você sabe o seu nome?
_ Eu sei quando me chamam pra ir almoçar, eu sei quando me chamam pra tomar banho, eu sei meu nome.
_ Seu nome é Phoebe?
_ Meu nome Phoebe não é, eu sou aquela que tem seis dedos em cada pé.
_ Na sua ficha diz Phoebe.
_ No seu crachá diz “visitante”.
_ Sim, eu não sou residente, eu sou visitante. Você entende o que eu estou fazendo aqui?
_ Entendo, você é um visitador… vistador… vidi… que vê com frequência.
_ Sim, é meu trabalho, ver com frequência pessoas como você.
_ Existem outras?
_ Sim.
_ como eu?
_ Sim.
_ Elas também estão em barcos?
_ Sim, como você.
_ Naus, que naus…
Naus partem — naus não, barcos, mas as naus estão em mim,
E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida…
_ Quando chegou aqui, disse que seu nome era Phoebe, você tem que se lembrar do seu nome, preciso preencher sua ficha, e tentar encontrar sua família.
_ Quando? Ontem. Ontem eu cheguei aqui, mas não havia nada além de uma escada, subi a escala, e no alto dela havia um praticável, que girava e girava.
_ Você se lembra de algo sobre sua família?
_ Onde levaram minha roupa de bailarina? Eu tinha asas ontem, e elas estavam aptas a decaptação, afiadas e polidas, reluzentes e precisas.
_ Você tem uma cicatriz grande no abdome, sabe dizer o que aconteceu?
_ Foi um espetáculo. Eu era bailarina do Circo Fernando, Lautrec ele me pintou, me disse que pintou, ele estava na platéia aquele dia, e sobre o cavalo eu percorri o picadeiro, com uma destreza nunca antes experimentada por mim, e no número seguinte, eu estava partida em duas pelo mágico. Bipartida, bipolarizada, bifurcada…

_ Doutor ela não fala coisa com coisa.
_ Ainda assim é bom de conversar com ela. Alguém conseguiu tirar-lhe alguma informação não fantasiosa?
_ Não, o mais próximo da realidade que ela chega é quando fala de barcos, que levam insanos que estão em busca da razão.
_ A loucura é um estágio de liberdade tão abrangente que os que flertam com ela se tornam prisioneiros da mais absoluta liberdade, da única prisão sem jaulas, da mente, que como um barco cheio de insanos procurando por seu lugar, sempre os tem, os mantém embarcados confiando-lhes um outro lugar que não o seu.
_ Doutor, o caso dela é irreversível?
_ Não posso precisar. Ela parece confortável onde está. É uma realidade tão fragmentada, multifacetada e transcendida, que chego a pensar que loucos estamos nós, todos vestidos de brancos, vivendo sob a égide dos ponteiros do relógio.
_ É, Doutor, meu estágio por hoje terminou.
_ Pode se retirar, mas não esqueça de deixar seu relatório sobre minha mesa.

Enquanto isso, uma menina vestida de bailarina, corria sobre os campos coloridos entrecortados por cordões de nível iluminados pela luz/não-luz num lusco-fusco, a segurar em uma das mãos a ponta da saia e na outra um balão de gás.

_ Que bom que chegou.
_ Estamos bem agora, você pode parar de se esconder.
_ Eles já foram?
_ Sim.
_ Estamos sozinhas?
_ Sempre estamos sozinhas.
_ O que eles disseram desta vez?
_ Que não sabem se é irreversível.
_ Enquanto for assim, estaremos seguras.
_ Eu lhe protejo. Eles acreditam em tudo que eu digo.
_ Eles sempre acreditam.
_ Eles acreditam em tudo que conseguem enxergar, tocar, cheirar e provar…
_ É, eles sempre acreditam.
_ Eles acham que somos loucas.
_ Pra eles, somos.
_ A diferença entre nós e eles, é que eles vivem do lado de fora, achando que não podemos sair, e nós vivemos do lado de dentro, sabendo que eles não sabem que podem entrar. E não querendo sair.
_ O querer é o que nos faz livre para estarmos presas?
_ Condenadas a sermos livres, Phoebe.
_ Sim, Shantall, condenadas a sermos Phoebe.

Uma sorri pra outra, e ambas olham pro horizonte, e sorriem com os olhos… mais alguém se aproxima…
Mais alguém.
E o cheiro dele era bom.

Dissociado dissonante.

maio 3rd, 2010

Vasta desordem
caminhos, tortuosos e dissociados
mente desermada.

Soluços dissonantes
surtos, constates e decodificados
existência descoisificada.

Nestes dias, o princípio da incerteza tempera o destempero.

O relógio de plástico barato marca horas que não condizem com o tempo decorrido.

O que é ordem? O que é disciplina?
Três vezes ao dia, duas colheres de albumina?

Quem é o leão que pasta?
E quem pode fugir da desgraça de não conseguir mais distinguir o azul do verde musgo?
E quem se importa?

O caminho é tortuoso e dissociado, o eco que ouço é um grito que jamais será dado.

Mas o que incomoda, mesmo, é o relógio de plástico barato.

O Pica-Fumo.

abril 29th, 2010

O Pica-fumo, era o sapateiro que morava na quadra onde cresci.
Ele passava o dia todo sentado em um banquinho, com um canivete na mão, picando fumo de corda.
Um senhor de idade, cujo nome eu nunca soube.
Ele consertava os calçados das pessoas numa pequena sapataria, escura e fétida… sobre uma grossa bancada de madeira curtida pelo tempo, onde algumas máquinas manuais existiam em meio a muita bagunça.
Apesar dele ser o homem que consertava o sapato das pessoas, ele nunca fora capaz de consertar seus próprios sapatos.
O Pica-fumo, talvez por causa do fumo de corda que fumava insistentemente, havia perdido as duas pernas por trombose.
O homem que consertava sapatos, não tinha pés.

 

Aids

abril 29th, 2010

novelinha

_ Você não tem a menor consideração comigo! O que vc pensa hein? Que eu vou ficar correndo atrás de você a vida inteira? Que você tem o direito de sair por aí e me largar aqui em casa, sozinha e preocupada?
_ Meu, do que você tá falando???
_ Fica quieto que eu já estou POR AQUI com essa situação e preciso falar tudo o que está me incomodando! Eu não suporto ser abandonada desta maneira, não admito ficar falando sozinha, não posso conceber a ideia de que alguÉm que eu tanto amo, simplesmente vire as costas e saia dessa maneira…
_ Meu, você tá ficando doida?
_ Eu já disse pra ficar quieto!
Sabe, eu sei que nossa relação começou por acaso, que sua vinda pra minha vida não foi programada, que foi uma coisa que ACONTECEU, sim, aconteceu… que nem MERDA… mas é o seguinte, se você pretende viver comigo, vai ter que aprender que quem manda aqui sou eu, e que ou você me obedece, ou você ME OBEDECE, você não tem escolha sabe…
_ Caraleo, olha as coisas que você ta dizendo…
_ Fica quieto, já lhe disse. Não me interrompa!
Eu já to cansada de ser feita de idiota… Sabe, você passou a noite inteira fora… INTEIRA… e eu? A idiota aqui ficou berrando, que nem doida… a vizinhança deve ter me achado uma maluca, uma neurótica, uma neurastênica, uma histéria… e você??? VOCÊ NEM PRA ME DIZER ONDE ESTAVA… chega, faz um tropel, a idiota aqui acorda, vai abrir a porta, e você? Você nem olhou pra minha cara… Entrou com essa cara de bosta, e foi se deitar NA MINHA CAMA!!!
_ Por favor… você está passando dos limites!!!
_ Limites é o que eu devia imposto, antes que essa situação chegasse a este ponto… ABSURDO..
_ ABSURDO É VOCÊ DISCUTINDO A RELAÇÃO COM SEU GATO AMARELO A ESSA HORA DA MANHÃ… PELO AMOR DE DEUS, CALA A BOCA, DEIXA O GATO DORMIR… E EU TBM… O GATO NÃO ESTA ENTENDENDO NADA DO QUE VOCÊ ESTA FALANDO E AINDA ESTA LAMBENDO O PRÓPRIO CU!
_ Tá, vendo… você tá tomando partido do gato… vocês não prestam mesmo!!!
_ Agora você vai brigar COMIGO, porque você tá irritada com SEU GATO que passou a noite fora de casa??? Ah.. tenha a Santa Paciência!!!
_ Tá vendo, você compactuou com a fuga dele… se você não tivesse deixado a porta aberta ele não teria saído, e olha só, ele ta com o pinto todo ralado… ´CÊ TAVA ANDANDO COM VAGABUNDA DE RUA NÉ, MALELO!
_ Cara, pelo amor de Deus, são, seis horas da manhã, eu não acredito que você discutiu a relação com o gato e agora tá dando lição de moral nele porque ele comeu uma gata de rua!
_ E se ele pegar aids???
_ AIDS? TÁ MALUCA?
_ É… existe aids felina você não sabia?
_ Olha, vamos fazer o seguinte, dorme, se ele pegar aids, a gente doa ele pro Instituto Viva Cazuza, pra alguma criancinha com aids cuidar dele…
_ Isso foi humor negro?
_ Não, Shantall, isto é apenas uma tentativa de dormir, EU TO COM SONO CARALEO!
_ Quer saber? Vou dar um banho nesse gato..
_ Isso, vai… vai com Deus, e me deixa dormir…
_ Que horror viu!
_ =/

Parte I – O Natal

abril 29th, 2010

novelinha

_ Tira esse braço daí?
_ E eu vou colocar onde?
_ Pro outro lado, ué!
_ Acabou a cama sabia?
_ Ah, então cruza os braços sobre o peito.
_ Credo que nem defunto?
_ Que nem múmia.
_ Mumia é defunto também!
_ Mas é um tipo vip de defunto… cruza aí!
_ Esquece, vou deitar de lado!
_ Que você esta fazendo?
_ Virando de lado.
_ E vai ficar com a bunda virada pra mim?
_ Por que não?
_ Porque se você peidar dormindo, eu vou ter que inalar o ar que sai do seu tchururu!
_ AFE! Então vira pra lah que eu viro pra cá…
_ Não gosto de deitar virada pro lado de fora da cama… o travesseiro que eu seguro sempre cai, sempre cai…
_ Também, nunca vi ninguém dormir com tantos travesseiros!
_ Vou deitar do lado de baixo então.
_ Ah, não… nem quero ficar vendo seu pé na minha cara…
_ Nossa, como você é chata.
_ Não gosto, ué…
_ Meu pé, está coçando!
_ Lavou o pé?
_ Clarooo.. ow,  acha que eu sou porco?
_ Sei lah… lembra quando a Marieta namorava o Gabriel?
_ Ahan
_ Então, ela dizia que ele não lavava o pé, que ela descobriu isso porque sempre tomava banho com ele e ele nunca lavava… aí ela que tinha que lavar e cortar as unhas dos pés dele…
_ Pô, eu sou limpinho…
_ Então deixa eu olhar, pode ser bicho geográfico!
_ Hein?
_ Vermes
_ Eu não tenho vermes…
_ Sei lá, ué…
_ Meu pé só está coçando de coceirinha boba…
_ É assim que começa… hoje você coça e acha que é uma coceirinha boba.. amanhã amputa a perna pq descoriu que tá com carbúnculo.
_ Car o quê?
_ …búnculo!
_ Meu, pelo amor de deus… hoje é natal… pára de falar essas coisas… eu nunca tive furúnculo no pé!
_ Não é furúnculo, é carbúnculo…
_ Que merda é essa? É que nem caxumba que todo mundo tem?
_ Não, é que nem anthrax!
_ você acha que eu tenho anthrax?
_ Não sei, né… pode ser que sua coceirinha não seja tão boba…
( ele levanta, acende a luz e olha o pé )

_ Oh… olha aí…
_ hummm… Tem uma bolinha aqui, viu, não é uma coceirinha boba…
_ Ai, será que eu estou com o tal caruncho?
_ Carbúnculo!
_ Isso… você esta me deixando neurótico… todo dia você me inventa uma doença nova!
_ Eu não invento nada… só digo um possível diagnóstico!
_ Olha bem… eu acho que é picada de pernilongo…
_ Pernilonga!
_ Nossa, você é o máximo… Como você sabe distinguir picada de pernilongo pra de pernilonga?
_ Porque a pernilonga usa batom xD
_ Idiota!
_ É serio… É picada de pernilonga… o pernilongo nem serve pra muita coisa… quem pica a gente são as fêmeas…
_ Ah, tá!
_ É… pode ser mesmo uma picada de pernilongo…só espero que você não pegue dengue…
_ Eu já tive dengue duas vezes!
_ Então dengue você não pega mais… Acho que aqui a gente só tem dois dos quatro tipos de dengue, quando você pega um,  você fica imune a ele… se pegou duas vezes deve ter sido de dois tipos diferentes…
_ Ainda bem…
_ É, mas… pode ser leishmaniose!
_ Leishoque?
_ …maniose!
_ Que merda é essa?
_ É uma doença aí, que o cão é o hospedeiro e o mosquito palha é o vetor.
_ Ah.. e é do mal?
_ É sim!
_ Acho que perdi o sono!
_ hmm, esta com dor no corpo também? Cólicas?
_ Pára meu… você está me deixando neuradaço…
_ auhauha estou brincando… dorme aí… estou cansada…
_ Cansaço? Fadiga? Indisposição? Cefaléia? Quer que eu pegue um paracetamol?
_ uahuahuahauhauaha está aprendendo…
_ Boa noite… dorme bem aí doida!
_ Tá.. mas… dá pra tirar seu braço daqui?

0_o

Parte II – O Reveillon

abril 29th, 2010

novelinha

_ Onde você vai assim?
_ Sei lá.. vamos dar um rolê…
_ Um rolê do tipo… festejar o reveillon?
_ É, sei lá… comprei vinho e champagne, vamos sair dar um rolê…
_ Não
_ Como não? Meu, é reveillon!!!
_ É um dia como outro qualquer.. eu nãovou sair por aí… Nesses dias todo mundo bebe, todo mundo fica idiota, todo mundo causa acidente…
_ Vamos ver a queima de fogos…
_ Não gosto… é perigoso…
_ A gente fica de longe…
_ Ah meu, nem gosto… nem gosto de festas populares… nem gosto de muita gente junto… e sempre que tem muita gente junto… as “gentes” ficam muito junto.. se encostam.. tá calor… suam.. suam e se encostam…
_ A gente fica longe dessas pessoas também…
_ Entaum, a gente pode ficar aqui.. aqui é bem longe… dos fogos.. e das pessoas!
_ Eu não vou passar o reveillon aqui…
_ Ah, tudo bem.. vai dar um rolê.. amanhã a gente se vê…
_ Mas você vai ficar aqui sozinha…
_ Meu, leia os meus labios… E-U, NÃ-ÃO, GOS-TO-O, DE-E FES-TA-AS, PO-PU-LA-RE-ES
_ Mas, meu hoje é dia de festejar!
_ De festejar o que? Todo dia é dia de festejar.. Eu não vou sair por aí festejando UM determinado dia, só porque alguém disse que é dia de festejar, de se divertir e lahlahlah
_ Mas é ano novo, só acontece uma vez por ano!
_ auhauhauha nossa, às vezes vc é brilhante!!!
_ Vamos..
_ Que mané vamos o quê, cara pálida… mim num vai a lugar nenhumm!!!
_ Cara, vamos festejar 2008 chegando… beber, ficar feliz, ver pessoas festejando…
_ Que tal a gente fazer isso em primeiro de Abril?
_ Festejar o dia da mentira?
_ auhauahuahuhau Não besta… antes era o primeiro dia do ano!
_ Mentira!
_ Viu!
_ O quê?
_ Porque é o dia da mentira!
_ Por quê?
_ Porque era mesmo o primeiro dia do ano hehe… aí quando alguém dizia isso depois que deixou de ser, todos diziam que era mentira… por isso é, hoje, o dia da mentira… mas é verdade.
_ Então o dia da mentira é o dia da verdade?
_ É mais uma dessas datas mudadas por convêniencia, por convenção… e outra… eu naum comemoro nenhuma data do calendário pseudo-cristão…
_ Mas o que o reveillon tem a ver com cristo…
_ 2008.. o ano… não comemoro essas coisas
_ Meu é só um símbolo…
_ É.. então por que vamos comemorar algo que é só um símbolo… Por que a gente não comemora todo dia ao acordar o milagre de estar vivo? De existir? Você sabe que as probabilidades da gente existir da maneira como existimos, onde existimos, e blablabla… faz de nós um verdadeiro milagre né?
_ Sabia que vc destrói tudo.. até o reveillon.. isso sem lembrar do Natal…
_ Ah, meu… eu não vou discutir o Natal…
_ Melhor mesmo… até caruncho você me inventou na noite de Natal…
_ Era carbúnculo… mas deixa pra la… você vai sair mesmo?
_ Não vou não… desisti…
_ Então sabe o que a gente podia fazer?
_ O quê?
_ Dar um rolê de carro por aí… sei lá… vamos pra Barra Bonita, ou Avaré… a gente acampa por lah… volta daqui uns dias…
_ Mas meu… foi isso que eu disse.. vamos dar um rolê…
_ Ah, então tá… calmai.. vou pegar a barraca…
_ Mas lá vai ter pessoas…
_ Eu sei!
_ E fogos…
_ É eu sei!
_ E pessoas que se encostas, e suam, e suam e se encostam..
_ Ah, eu sei… mas a gente fica longe delas
_ Cara, eu JURO QUE EU NÃO TE ENTENDO o____O
_ Não esquenta não… guentai.. vou pegar a barraca e os colchonetes =]
_ =D
_ E os repelentes, e os coletes, e os pés de pato, e me ajuda a achar a caixa de primeiros socorros?
_ Tá.. Tá.. =D

Ele é um pára-raio!

abril 29th, 2010

novelinha

_ Que você ta fazendo?
_ Podando a laranjeira… não esta vendo não?
_ Estou ué… mas está difícil de acreditar. Você já fez isso antes?
_ Não.
_ Sabe como fazer isso?
_ Não.
_ Viu alguém fazendo?
_ Não.
_ Então o que é que capacita você a fazer o que não sabe fazer?
_ Nossa, e eu achando que estava fazendo um favor pra você!
_ Está fazendo sim… um favorzão, mas desce já daí porque  não estou precisando de pára-raio!
_ Pára-raio?
_ É, ser… Olha o tempo fechado, acima da sua digníssima cabeça!
_ Por isso que vim podar, não estava sol… com sol não dá pra fazer. Você ia ficar dizendo que eu ia morrer de câncer de pele!
_ Meu, olha o tempo! Você está em uma escada de alumínio segurando um alicate de podar galho acima da sua cabeça, metido na copa de uma árvore… Você quer o quê? Que eu lhe rebatize de Benjamim?
_ Beja quem?
_ Benjamim Franklin… ué… Sem falar que você tá mudando o centro gravitacional da escada!
_ auhauhaua Eu tô o quê?
_ Você está em cima da escada e pendendo seu corpo pra direita pra alcançar os galhos de lá, e aí a escada esta balançando pro lado oposto toda vez que você estica o corpo pra lá…
_ auahuaha Você parece o Buzz Lightyear falando…
_ Pare de rir, idiota, eu tô falando sério…
_ Então porque você não segura a escada pra mim?
_ Porque eu não quero brincar de pára-raio? Tá começando a chuviscar, desce daí.
_ Meu como você é chata…
_ Sou prevenida isso sim… agora desce… no dia que você fizer um seguro de vida milionário no meu nome que inclua acidentes domésticos com objetos cortantes, desastres naturais e fenômenos da natureza você pode se enrolar com um rolo de papel alumínio, subir na escada, marcar um alvo no meio da testa, segurar uma espada ninja e gritar By the power of the Greyskull… que eu nem vou reclamar…
_ Ah então você quer que eu sobreviva só pra me convencer a fazer um seguro de vida antes…
_ Não, eu só quero que você pare de fazer minha laranjeira parecer um bonsai… agora desça.
_ Tá… mas só vou descer pra num ficar escutando suas barbaridades…

novelinha

_ Tá dormindo?
_ hmmm
_ Você tá dormindo??
_ o_o tava!
_ Eu não estou conseguindo dormir.
_ Que COISA, né… agora eu também não estou… será que insônia é um troço contagioso?
_ É sério, puxa vida… não estou conseguindo dormir…
_ Fica quietinho que você dorme… isso é euforia, porque o show foi muito bom.
_ Por que você não está eufórica também?
_ Porque eu estou com sono? Cansada?Porque acordei cedo pra pegar bus pra vir pra cá? E não dormi durante o dia como você?
_ É… deve ser… mas a gente pode conversar?
_ Já estamos conversando.
_ Sabe, eu estava pensando sobre minha monografia…
_ Você não vai querer discutir sobre sua monografia a essa hora né?
_ Você disse que a gente podia conversar.
_ Amenidades, por favor… superficialidade… pode ser? Pode ser uma conversa que eu possa responder só sim, não ou depende?
_ Até com sono você sabe ser grossa né…
_ Ah… Sei ser grossa até dormindo… Talvez até em coma!
_ Sobre o que a gente pode conversar então?
_ Sobre… que tal a gente brincar alguma coisa?
_ Do que?
_ Tchibita?
_ Isso é sexo?
_ Nãão duuurr… é tchibita… tipo… eu penso num verbo, e substituo ele pelo verbo tchibitar… aí você tem que descobrir o verbo que eu pensei… e eu só posso responder sim ou não.
_ Nerd demais não acha?
_ Não… vai.. começa aí.. já pensei!
_ Não entendi direito o que eu faço agora?
_ Faça perguntas.
_ Tipo?
_ Tipo.. “Você está tchibitando agora?” “Você costuma tchibitar muito?” e por aí vai…
_ Não achei muito interessante, mas vamo lã.. “Você já tchibitou hoje?”
_ Sim
_ Você está tchibitando agora?
_ Não
_ Você gosta de tchibitar?
_ Sim
_ Eu tchibito?
_ Sim
_ Todo mundo tchibita?
_Não
_ Você já tchibitou alguém?
_ Não
_ Já fez alguém tchibitar?
_ Sim
_ Já tchibitou com alguém?
_ Sim
_ É sexo!
_ Nãão… não é sexo… ai que droga… tudo pra você é sexo… você tem síndrome de Rocco Siffredi não dá pra brincar com você de nada! O verbo era dormir… estou com sono… não consigo pensar em outra coisa! e “sexo” não é verbo, viu…
_ Sexo é verbo sim, lembro que a professora dizia que verbo é tudo aquilo que gente faz… credo… eu não estou com sono…
_ Vá ver um filme então e me deixa dormir, que tal?
_ Eu queria conversar.
_ Liga pra alguém… conversa com uma amiga sei lá…
_ Você é minha melhor amiga sabe disso… não tenho paciência pra falar com outras pessoas.
_ E eu não tenho paciência pra aguentar essa falação toda… porque não me conta uma história?
_ Pra dormir?
_ Sim
_ Pode ter alienígenas
_ Sim
_ E mutantes?
_ Sim…
_ E zumbis?
_ Zumbis não!
_ Por que não?
_ Porque… porque não e pronto!
_ Agora fala o porquê de não poder haver zumbis…
_ Me lembra alguém que quero esquecer… os zumbis vão ser alienígenas ou mutantes?
_ Nenhum dos dois… vão ser só zumbis
_ Então não pode não… e eu não vou ficar discutindo sobre zumbis a essa hora…
_ Tá… pode ser no futuro, numa colonia espacial onde replicantes são usados como escravos na mineração?
_ Isso é Asimov, não vale…
_ Não… vai ter mutantes, e alienigenas selvagens, e replicantes que matarão humanos pela lei zero..
_ ISSO É ASIMOV NÃO VALE…
_ Tá… então pode ter um robô alienígena que veio do futuro, pra aniquilar a raça humana que evoluiu a tal ponto de colonizar a galaxia toda e ele volta pra matar uma mulher que deu origem a linhagem do grande imperador do mal…
_ ZURG? auhauah pára… isso ta parecendo Toy Story + Terminator …
_ Assim não dá.. tá vendo.. você me inibe… quer o quê? Uma historia de fadas?
_ Sim sim que pode ser…
_ E pode ter bruxas?
_ Sim…
_ E pode ter cavaleiros em busca do graal?
_ Isso é o que, Brumas de Avalon? não vale..
_ Puta merda que chata você é…
_ Ahan
_ Pode ter fadas alienigenas mutantes zumbis?
_ Ai meu deus… já me fez perder o sono, agora tá começando a me deixar com raiva…
_ Tá vendo esse livro aí do lado?
_ Qual?
_ O verde que tem um sapo zoiudo…
_ Ahan.. pega aí… e lê um conto pra mim!
_ Ah não… pára… quero inventar algo…
_ Então invente uma história sem fadas, sem magos, sem bruxas, sem alienígenas, sem mutantes, sem zumbis, sem robôs, e… hmm… sem busca pelo santo graal…
_ Pode ser uma história sobre um pequeno povo da floresta que vive sobre as arvores, e defendem os espíritos da floresta, e lutam contra o mal..
_ Isso é o quê? Caravana da coragem? Vai ter ewoks?
_ Meu, que merda… você é muito chata… espero que no dia que  tiver um filho ele não seja assim, senão nunca que vai conseguir fazer ele dormir…  Que tal uma história num universo pós apocalíptico, pós-punk, onde lutam por água e petróleo…
_ E uma menina rouba um tank de guerra e tem um amigo canguru, um ursinho de pelúcia e um taco de basebal, e adora band-aids?
_ É.. É… =D
_ Isso é Tank Girl + Mad Max… num vale…
_ Tá ficando chato.
_ É.. tá… que tal você me contar uma história que tenha uma bailarina ciclope, um cavalo mágico esquizofrênico que é de verdade e de corda ao mesmo tempo… e que uma das personalidades dele é um cavalo selvagem e a outra é um cavalinho de carrossel, e a bailarina não tem uma mão, tem um gancho metálico, e asas metálicas afiadíssimas, e usa joelheiras e cotoveleiras, e dos joelhos dela vertem ácido e absinto, e tem os peitos de fora, e piercing nos mamilos, e uma saia com fileiras de dentes retráteis e afiados… e ela dança sempre a mesma musica, e ela decapta as pessoas que assistem ela dançar sem querer, e ela tem regeneração alígera, e sempre se corta afiando as laminas das asas e….. hey.. hey… ow…
_ hmmm… continua… tô imaginando…
_ Você está dormindo!
_ Não, estou imaginando… continua a descrever as personagens, que eu tô pensando numa história…
_ Não, meu,você está dormindo…
_ Nem tô, tô  escutando você falar sobre o cavalinho… e a bailarina…
_ Não quero mais…
_ Conta
_ Um padre..
_ Que padre…
_ Um pendurado na abobada da igreja com ganchos de aço cirúrgico
_ Por que um padre?
_ Porque não gosto de padres…
_ Por quê?
_ É pessoal.. não gosto deles.. e eles não gostam de mim…
_ Hey…
_ O que?
_ Você não quer mais a historinha?
_ Só se tiver um padre assassinado por uma bailarina ciclope montada num cavalo mágico movido a corda…
_ Sem alienigenas?
_ Sim
_ Sem mutantes?
_ Sim
_ E…
_ Sem zumbis também…
_ E o padre pode saber o paradeiro do graal?
_ NÃOOO.. tá vendo… você contamina tudo com histórias pré existentes… vou pra sala… assistir um filme..
_ Que filme?
_ Microcosmos
_ De novo? Ah, não… de novo não… já nem sei quantas vezes vc viu esse doc e aquele rola bosta!
_ Nem eu… vou lá…
_ Ow… eu posso contar a història da bailarina assassina pra você.. volta
_ =D…Bailarina? Assassina?
_ É… montada num cavalo de corda, que brilha no escuro…
_ Pode ter uma horda de seres zoomorfos?
_ Pode…
_ Com cabeça de Louva-deus? E olhos de Camaleão?
_ Pode.
_ E garras de gerifalte?
_ Ahan
_ E saliva de dragão de comôdo???
_ Uia, disso eu gostei!
_ E pode ter um jardim enorme cheio de passagens secretas, e uma escola estilo vitoriano no centro, com portas mágicas que levam a salas do inferno onde pessoas são torturadas eternamente presas a argolas, e ganchos e máquinas de torturas de design medieval?
_ Nossa, meu, pára… isso é doentio demais…
_ Tá vendo só… vou ver um filme…
_ Vai… vou dormir… e sonhar com ALIENÍGENAS COM TRÊS PEITOS…
[ ela bate a porta do quarto mas ele continua falando ]
_ ALIENÍGENAS MUTANTES DE TRÊS PEITOS… viu…
_ e ZUMBIS também… é vai ter muitos… MUITOS ZUMBIS OUVIU BEM!

[[[ por fim, ele acordou ela, ela perdeu o sono e foi pra sala, pessoas são bichos bem estranhos ]]]

Ousa

abril 29th, 2010

falar
sem
calar

o
outro

amar
sem
prender

um
pouco

berrar
sem ficar
rouco

casar
sem morrer
oco

Fuga dissociativa

abril 29th, 2010

_ Existem?
_ Em algum lugar, ou em algum tempo… talvez. Creio que sim.
_ Você os inventou?
_ Não, só os reuni, e os misturei.
_ Como assim? São partes suas?
_ Não, são partes de outros. Dos outros que amei.
_ Gosta deles?
_ Gostei, mas se foram. Morreram, se afastaram ou desapareceram.
_ Sente falta deles?
_ Não.
_ Por que os reviver então?
_ Não são mais eles, são outros outros agora, os recortei, desenhei sobre eles, colei seus pedaços todos misturados, são outras pessoas agora.
_ Como Frankesntein?
_ Eu ou eles?
_ Não sei, me diga você.
_ Sim, eu sou como Victor.
_ Como o criador?
_ Sim.
_ Se sente bem assim?
_ Sinto, quando os faço sentir.
_ Mas eles não sentem verdadeiramente.
_ E eu neles, também não.
_ Eu não entendi, nada.
_ Não faz nenhum sentido, não tem ordem, não tem seqüência. Não existem sinapses, se você não as criar.
_ Então você nos transforma em Victor, isso é manipulação.
_ Sim.
_ E como se sente com isso.
_ Sinto, quanto lhe faço sentir
“A terapeuta sorri verdadeiramente. A paciente, também.”

Falo de mim

abril 29th, 2010

A língua que falo,
a língua que beijo,
o queijo que gosto,
o rosto que vejo,
não dizem nada sobre mim.

A língua e o falo,
a língua e o beijo,
o queijo e o gosto,
o rosto que vejo,
dizem espelho sobre mim.

Engaiolada.

abril 29th, 2010

enquanto
encanto
canto
engaiolada
sangro

o tempo já não suporta
já não dá suporte,
já não conforta
nem nada dessas coisas que dizem que é o que importa
apenas,
passa.

quero voltar.

precisaríamos ser
tanto quanto o tempo o é
mas não somos,
somos cromossomos monocromáticos
imprecisos e desprovidos de uma segunda visão
apenas, passamos

quero voltar.

ardemos indefinidamente
num breve instante
insuportavelmente impreciso, desconexo e intransigente…
e de que vale ser gente,
se nosso brilho tivesse a velocidade da luz ao menos
e o tempo?
apenas, passou

quero tudo de volta.

Rinocerontes.

abril 29th, 2010

doce ternura diáfana

encarnada em ferocidade visceral
abrupta
suprimida de culpa
exalando a inocência proclamada
na busca pela flor azul

E ainda assim, acontece.

Allegro com fermezza

abril 29th, 2010


Masturbação mental inefável e compulsiva:
Quando, tentar esquecer é igual a se lembrar.

Indissoubilis.

Inenarrável

abril 29th, 2010
você existe inerradicável
em mim num âmbito em que só a razão persiste
infecciosa, e irrefutável

você existe inescrutável
em mim num ângulo em que só a visão resiste
inafável e inimpugnável

você existe inescusável
em mim
de maneira inevitável
inegável
indiscutível
inelidível
ineludível
inestancável

você reside inestilhaçável
em mim
num sentimento, instante espaço sem tempo
impermeável
inestimável
inexaminável
inexigível
indeterminável

você existe em mim
odiosamente inexorável

eu existo em você
odiosamente inexpiável

existimos
de modo inexplanável
inexplicável
inexprimível
inexpressável
inexterminável
inextirpável
inestinguivel

infactível? não sei…
mas certamente inextricável

in extremis … inesquecível

Cavalos marinhos.

abril 28th, 2010

novelinha

Menino e menina andando pela rua…

_ Vamos entrar na loja pra ver peixes?
_ Você sabe que peixe pra mim é comida…
_ A loja é de peixes ORNAMENTAIS…
_ Os ornamentais sãos os que mais me dão fome, de tão lindos a gente come ANTES com os OLHOS.
_ Você é muito insensível.. vem..

Ele a pega pela mão e a arrasta pra dentro da loja.
_ Olha.. cavalos marinhos.. ah.. que lindos…
_ Que lindo do tipo lindo, ou que lindo do tipo que lhe deu fome?
_ Ai como você é insensível.
_ Eu? Olha só pra eles…

Os dois cavalinhos marinhos de rabinhos dados.

_ São lindos mesmo, né?
_ OLHA PRA ELES?
_ Tô olhando são lindos, MESMO!
_ Tá vendo? Ele tá dando o rabinho pra ela. Eles não tem bracinhos e nem perninhas e ainda assim, são mais carinhosos que você!
_ Olha aqui, se você tá querendo dar o seu rabo pra mim, pode tirar o seu cavalinho da chuva!
_ Viu, é disso que eu to falando! GROSSA!
_ Grossa nada, prática! Olha aquele polvo!!!!
_ Lindo, né!?´
_ Lindo nada, gostoso!!!
^^

Semelhantemente diferentes.

abril 28th, 2010

novelinha

- Sabe qual a nossa maior diferença?
- Sim, eu sou eu, e você não!
- Eu to falando sério, porra!
- Eu sou menina e você é menino!
- Difícil falar com você quando você está na NET
- Você quer atenção, então pede.
- Se eu estou falando com você, você automaticamente deveria me dar atenção.
- Ah, claro, o universo gira ao seu redor, e que bom que Galileu não é nosso contemporâneo
- Lá vem você… justificando suas sandices com Galileu
- Acho coisa fina, ué!
- Dá atenção?
- Dou sim, mas espere eu terminar de digitar esse texto… (…) Diga!
- Sabe qual a nossa maior diferença?
- Eu tenho vagina e você pênis?
- PUTA MERDA, é sério…
- Loooping alert
- Que isso?
- Qstamos rodando em circulos…
- Sabe ou não sabe?
- Sei, só que como eu sou uma cretina e adoro você me perturbando, eu finjo que não sei, assim você me estressa eu tenho um AVC, viro um vegetal, ae você vai ter minha atenção pro resto da sua vida
- Nossa, como você é grossa… odeio quando você pereia!
- Tá, eu não sei nossa maior diferença…
- Não vai perguntar qual é?
- Não, se você quiser falar, fale…
- Afe, é assim, eu acho que eu sou tipo o Superman, e acho que você é..
- MEU, SE VC ME COMPARAR COM QUALQUER PERSONAGEM DA D.C. EU NUNCA MAIS FALO COM VOCÊ.
- O que você tem contra a DC???
- Tá aí, nossa maior diferença… eu gosto da Marvel e você da DC…
- Você me deprime, que horror viu…
- Eu não, você que fica inventando suas teorias e quer me deixar maluca com suas D.R.s
- Tá então…

(…)

- Ow…
- Oi..
- Você não tá curiosa pra saber o que eu ia dizer?
- Não?
- Nem um pouquinho?
- Não?
- Nem quer ver o gráfico que eu fiz?
- Tem tabela?
- Não…
- Então não quero, um gráfico tem que falar por si próprio… não pode requerer explicações..
- Meu, você é insuportável!
- Sou mesmo?
- Um pouco…
- Então eu sou um pouco suportável?
- Você tá otimista hoje, hein…
- Sabe qual a nossa maior semelhança?
- Qual?
- Eu não sei. só perguntei pra saber se você sabia…
- Eu não pensei nisso ainda…
- Então, vamos fazer assim, eu volto pro meu texto, e você volta a ler seus gibis, então você faz um gráfico decente, com legendas coloridas, e me dá pra ver… o que acha?
- Acho que você ta me engrupindo, com essa conversinha, tá soando como mãe falando com criança retardada…
- Aas eu tô falando sério, faz pra mim?
- Faço sim… já volto…

(…)

- Shan…
- Posso deixar isso pra depois?
- Por quê? Desistiu?
- É que vai começar Smallville agora!

( ele não sabe, mas nossa maior diferença, é que, onde ele vê gema mole, eu vejo salmonela, onde ele vê empadinha, eu vejo botulismo, onde ele vê lombo, eu vejo cisticercos, onde ele vê areia, eu vejo bicho geográfico… nossa como ele enche o saco )

A gente já passou por aqui.

abril 28th, 2010

novelinha

_ A gente já passou por aqui…
_ Não
_ Não foi uma pergunta.. estou afirmando… a gente já passou por aqui!
_ Já? Auando a gente foi pro show do Titãs aquela vez?
_ Não… A gente já passou por aqui ho-je!
_ Impressão sua…
_ A gente tá perdido, não tá?
_ Que nada… Eu sei pra onde a gente tá indo…
_ Mas não sabe direito como chegar lá né?
_ Claro que sei…
_ A gente já passou por a-qui tam-be-ém!
_ Passamos nada…
_ Pára o carro e pergunta onde fica a tal rua que leva ao evento, por favor!!!
_ Puta merda, Shan, eu sei pra onde a gente tá indo…
_ Sabe pra onde, mas não sabe por onde, ou seja… estamos perdidos…
_ A gente nem passou por aqui ainda, é só pegar ali a direita, e seguir em frente..
_ Então me chama de mãe Diná daqui pra frente…
_ Mãe o quê?
_ Diná… ó só… alí, logo à direita, vai ter um trailler de lanches, depois um cavalo amarrado em uma árvore, depois uma loja de pneus…

( ele vira a direita, passa pelo trailler, pelo cavalo e pela loja e olha pra ela… )

_ Você não vai dizer nada???
_ A-an
_ Você não vai dizer que você tem razão e que estamos perdidos?
_ A-an
_ Você não vai dizer nem “odeio ter que dizer o óbvio” ?
_ A-an
_ Nem vai dizer ” tá vendo, eu sempre tenho razão” ?
_ A-an
_ Nem dizer “da próxima vez vê se me escuta” ?
_ A-an
_ Diz alguma coisa, porra!
_ A gente já passou por aqui…

=/

Falando pelos cotovelos…

abril 28th, 2010

novelinha

_ Sabe o que eu acho?
_ Eu não sei porque você sempre me pergunta se eu sei o que você acha, porque mesmo que eu diga que já sei, você vai falar pela milésima vez o que você acha.
_ Calúnia! Você que fica fingindo que não sabe o que eu acho, então eu acabo repetindo pela milésima vez o que eu acho, e ainda fico pensando ” que ódio, já disse isso pra ele mil vez, porque ele nunca presta atenção no que eu digo”
_ Sabe o que eu acho?
_ Sobre você saber o que eu acho e não dizer?
_ Não, sabe o que eu acho que você precisa?
_ Eu preciso saber alguma coisa além de saber que você sabe o que eu acho e não dizer?
_ Ai, cristoooo, como você tem o poder de complicar as coisas…
_ Você que complica.. eu só perguntei se você sabia o que eu achava, se você tivesse respondido “sei” a gente nem ia ter começado essa conversa.
- EU ACHO QUE VOCÊ PRECISA VOLTAR COM SEU BLOG.
_ Por quê? Você nem lia mesmo…
_ O problema é que, quando você não escreve no seu blog e não grava seu podcast, você fica falando comigo O TEMPO TODO!!!
_ ué, eu achei que isso fosse legal… Não é não?

( silêncio )

_ NÃO QUANDO EU ESTOU CAGANDO! Fecha a porta da merda do banheiro!

_ X___x glurp

novelinha

_ Isso é lindo.
_ Estrelas?
_ Milhares delas.
_ Cadentes?
_ Algumas, despencando do firmamento.
_ Acredita nisso?
_ Firmemente
_ Mente?
_ Só quando digo que te amo.
_ Me da aqui o caleidoscópio.

_ É… isto é lindo.
_ Estrelas?
_ Estradas
_ Pra onde levam
_ Trazem.
_ O caminho para o céu e para o inferno é o mesmo, só a direção é contrária.
_ Desde que não solte da minha mão, por mim, está tudo bem assim

Iluminados por azuis noturnos.
Ele encosta a cabeça no ombro dela.
Ela olhando as estradas no seu caleidoscopio…
Ele olhando as estrelas com um pequeno telescopio escrito Halley.

_ Me dá sua mão?

Ele mostra a mão espalmada…

( Quando você pede a mão de alguém, e esta lhe estende a mão aberta com a palma exposta, é sinal de sinceridade, de confiança. Ela era confiável. )

Ela pega a mão dele, coloca sobre seu umbigo e vai levando sua mão até sua calcinha.

_ O que você está fazendo…
_ Brincando.
_ Comigo?
_ Não, só com sua mão!

Ela coloca seus dedos sobre os dedos dele…
Pede pra que ele não mova a mão voluntariamente e começa a se masturbar com os dedos dele…
Ele observa… e excitado vai para beijá-la.

_ Eu não quero sua boca… eu só quero seu dedo…

Ela tira sua mão sobre a dele… que continua a brincar com ela enquanto a observa.
Ela ditara o ritmo.

Era sempre bom de observá-la.
Ela se move de maneira estranha, e agradável…

_ Gosto das suas expressões faciais – disse ele.

Ela, não estava preocupada com ele…
Nem ouvia o que ele dizia.
Dizer se fazia desnecessário.

E novamente ele tentou beija-la e ela novamente se esquivou.
Ele começou na chorar, com a mão entre as pernas dela.
E ela cafajessecamente disse, chore, mas não pare com seus dedos.

As lágrimas escorreram pro umbigo dela… e a imagem daquele ventre azulado com aquele umbigo brilhante, a sensação quente e molhada que sentia com uma das mãos e a imagem daquela menina gozando foi, o que ele mais tarde se lembrou como o momento poético mais sincero de sua vida.

_ Você me ama? – diz ele não perguntando, mas implorando pra que ela diga que o ama.
_ Não. Eu não amo ninguém, eu só amo os Ramones.

Ela levantou o corpo, subiu a saia e a calcinha azul de estrelas brancas como a da Mulher Maravilha, pegou seu caleidoscópio entrou pra dentro da casa.

E e eles?
Eles nunca se beijaram.

Um dia ela recebeu um sedex, com um gibi noir, que contava a história daquele noite.
E……
Onde nós estávamos mesmo?

Ah….

A Micareta.

abril 28th, 2010

novelinha

- DESLIGA ISSO!!!!
_ NÃO ESCUTEI… FALA MAIS ALTO…
_ DESLIGA ISSSSSSOOOO
_ NÃO ESCUTEEEEEEEEI…

( ele desliga o aparelho de som )

_ TÁ MALUCAAA?
_ Eu não, ué… por quê?
_ Isso é som de micareta, é Chicletão..
_ Eu sei, eu sei…
_ Que está fazendo escutando isso em pé no meio da sala?
_ Estou tentando entender.
_ Entender o quê? A letra é fácil…
_ A letra eu entendi, estou esperando fazer efeito…
_ Que efeito, Shantall, está maluca?
_ O efeito da música, eu acho que já já vai começar…
_ Pelo amor de deus, eu já estou sentindo todos os efeitos colaterais… todos… dor de barriga, ânsia de vômito, dor de cabeça…
_ Pode ser dengue..  sabe, né?
_ Sei, agora coloca Misfits…
_ Não quero, quero escutar Chiclete com Banana…
_ Você odeia essas coisas, tá maluca… tô dizendo, enlouqueceu!
_ Eu tava vendo tv, e passou uma desses trio elétricos, eu não entendi o porquê  das pessoas pularem daquele jeito… estou fazendo uma experiência… vai ver eu que não entendi…

( ela solta o som, chicletão de novo )

_ ABAIXA ISSO PORRRRAAA…
_ O QUÊÊÊ?
_ ABAIXAAAAA

( ele desliga de novo )

_ Pára com essa doença, Shantall!
_ Estou tentando, vai ver eu sou doente e não entendi que ser chicletera é o que há… estou esperando meu corpo começar a balançar… oh oh ( ela tenta mostrar que o efeito está chegando mexendo a bunda de um jeito… hmm… de um jeito tão estranho que devia ser proibido alguém mover os glúteos daquela maneira descoordenada )
_ Então  dança, puta merda… pára com isso, está me dando vergonha alheia.
_ Mas eles não dançam, eles meio que pulam… e se sacodem, só que não está acontecendo comigo
_ Eu não tô vendo isso…  você está maluca eu disse!
_ Olha só… quando eu escuto punk rock, meu corpo reage de uma maneira… mas quando eu escuto chiclete, não… mas todo mundo reage a chiclete, porque eu não???
_ Porque você não é piriguete, não é micareteira!
_ Agora eu quero ser… estou treinando… oh.. oh…
_ Meu, que horror… vai querer ir numa micareta?
_ Ainda não decidi, mas estou me preparando…
_ Eu sei o que vai acontecer quer que eu conte?
_ Sim sim…
_ Você vai estar no meio de todo mundo, parada esperando que o som faça efeito… Não vai funcionar! Você vai querer ir embora pra casa porque precisa escrever sobre sua experiência periférica…
_ Experiência periférica?
_ Essa experiência que você sempre fala..
_ Ahh EMPÍRICA…
_ Que seja…
_ Será que eu não vou dar nem UMA puladinha?
_ Lembra do carnaval de 95?
_ Não…
_ Então, eu me lembro… você quis ir no baile de carnaval do Caiçara  Clube… disse que queria entender porque seu pai e sua família sempre adoraram carnaval…
_ É “memu”?
_ Sim… e ficou lá fazendo a mesma coisa…
_ É “memu”?
_ Sim, aí você encanou que não estava funcionando porque devia subir em cima da mesa… igual a umas meninas que estavam lá…
_ É “memu”? Não me lembro…
_ Sim… aí você subiu e não funcinou…
_ E depois?
_ Depois você achou que precisava agir como as demais pessoas…
_ É “memu”? Porque será que eu não me lembro?
_ Porque você pegou um saquinho de confeti, começou a jogar em mim e no seu pai, deu uns passos pra trás, caiu da mesa bateu a cabeça e desmaiou…
_ Ahhhh foi naquele dia que eu vomitei um monte e fiz radiografia, porque meu irmão suspeitou de traumatismo?
_ Lembrou?
_ Ah, sim… Lembrei…
_ Então… acho melhor você parar com isso logo!
_ É, né…
_ É sim…
_ Mas será que se eu cortar uma camiseta amarrar e dar nozinhos, amarrar uma bandana na cabeça e me abanar com um leque de papel não vai funcionar…
_ Ã-an
_ Será que se eu ficar pulando até ficar suando e fedendo e você também… e a gente ficar se esfregando suado e fedendo não vai funcionar?
_ Ã-an…
_ Tá…
_ Posso colocar Misfits?
_ Pode sim.. vou tomar banho..
_ É, melhor assim, seja punk mas seja limpinha…
_ xD

A febre azul!

abril 28th, 2010

novelinha

_ Que você está fazendo?
_ O que eu faço toda a noite, Pink…
_ Estou falando sério…
_ A vida está ficando repetitiva, você sempre começa todas as conversas me perguntando o que é que eu estou fazendo…
_ É que você sempre está fazendo alguma coisa.
_ Não sou eu que sempre estou fazendo algo, é você que tem o péssimo hábito de só vir falar comigo quando eu estou fazendo alguma coisa.
_ Mentira, você está sempre fazendo algo, até dormindo você faz coisas.
_ É, eu babo…
_ Você fala…
_ Falo?
_ Nossa, pelos cotovelos, e ri muito.
_ E você fica escutando?
_ Fico né…
_ Hmm, que falta do que fazer…
_ É pra saber coisas que você não diz…
_ E o que você acha que eu não digo que você gostaria de saber?
_ Nada
_ Mentira-A… diz…
_ Nada, ué…
_Mentira-A
_ Quero saber as coisas que você não me diz…
_ Eu só não lhe digo o que acho que você não vai querer saber
_ E como sabe que eu naum vou querer saber?
_ Porque quando as pessoas querem saber as coisas elas perguntam… a nâo  ser que tenham medo da resposta… você tem medo de me perguntar coisas?
_ Não…
_ Mentira-A… você tem medo de me perguntar as coisas que eu não digo mas que você gostaria de saber, só que você prefere me ouvir falando dormindo, porque assim vai saber o que eu não diria acordada porque você não me perguntou, então você se sente mais confortável sabendo das coisas e fingindo que não sabe… é isto?
_ Por que você tem que ir sempre tão a fundo?
_ Porque eu tenho um escafandro?
_ Eu não gosto de ter meus medos assim expostos, nas nossas conversas sempre me sinto um ratinho de labotório…
_ Foge da rodinha então…
_ Lá vem você com a rodinha…
_ Você não vai escrever isso no seu blog, vai?
_ Bem provável…
_ Eu sempre pareço meio idiota nas nossas conversas…
_ Eu sempre pareço meio malvada…
_ Você é malvada…
_ Você é idiota…
_ Tá vendo vão ler e pensar… “esse cara é um banana, por que ele não manda ela a merda!”
_ Boa pergunta… Por que você não manda ela a merda?
_ Ela é legal… me faz rir…
_ Não me sinto elogiada com isto desde que você riu quando a macaca do desenho do Tarzan tropeçou no começo do filme…
_ Nem vem, toooooodo mundo no cinema riu, menos você, que ficou me olhando com aquela cara de “Não acredito que você tá rindo disso”
_ Tooodo o cinema batia na nossa cintura, esqueceu? Só tinha criancinhas lá…
_ Eu tô dizendo, às vezes você me faz parecer idiota…
_ Às vezes você age como idiota, né?!
_ Por que toooda conversa com você tem que parecer luta de boxe!
_ Porque você sempre me interrompe quando estou fazendo algo?
_ Está vendo… eu só queria saber o que você estava fazendo, se você tivesse me respondido eu já teria ido pra lá tirar umas músicas…
_ Estou pindando o nariz do gato!
_ Como assim?
_ De azul está vendo?

( ela vira o gato e mostra o nariz do bichinho )

_ Pra que isso?
_ Pra ele assustar os outros gatos… vão achar que ele está com febre azul e não vão bater mais nele…
_ A febre não é amarela?
_ É, mas o Malelo já é um gato amarelo.. então não ia funcionar…
_ Viu.. é por isso que eu tenho medo de perguntar as coisas pra você… suas respostas sempre me assustam…
_ =/

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